Combate ao crime

Polícia mira núcleo financeiro de facção e bloqueia R$ 283,5 mil

Segunda fase da Operação Golden cumpre mandados em Mato Grosso e na Bahia para desarticular esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

Por Matheus Marques 02/07/2026 às 10:30 3 min de leitura

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Golden, com o objetivo de desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridas 14 ordens judiciais em Mato Grosso e na Bahia.

As medidas incluem cinco mandados de busca e apreensão, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, limitados a R$ 283,5 mil, além de uma medida cautelar diversa da prisão. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá e cumpridas nos municípios de Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e Itabela (BA).

A operação é resultado de investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio das delegacias regionais de Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil da Bahia.

Entre os alvos está um detento custodiado em São Paulo, preso por determinação da Justiça de Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, ele possui extensa ficha criminal, com antecedentes por tráfico de drogas, homicídios e outros delitos.

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico de drogas. A partir desse caso, a Denarc identificou que o grupo utilizava contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para ocultar e movimentar recursos provenientes da venda de entorpecentes.

Na primeira fase da Operação Golden, realizada em março deste ano, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueios patrimoniais. Na ocasião, também foram apreendidos mais de R$ 692 mil em dinheiro vivo e R$ 222 mil em cheques durante diligências em Cáceres.

O avanço das investigações permitiu identificar novos integrantes da organização criminosa e aprofundar o rastreamento da estrutura financeira utilizada pelo grupo. Os policiais constataram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados e o uso de uma empresa considerada de fachada para ocultar valores.

De acordo com a Polícia Civil, uma empresa registrada em nome de um dos investigados movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, sem apresentar atividade econômica compatível. Também foram identificadas transferências financeiras entre suspeitos ligados à facção, incluindo pessoas com antecedentes por tráfico de drogas.

Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelo caso, as medidas patrimoniais têm como finalidade impedir a ocultação de recursos ilícitos, preservar provas e garantir eventual reparação de danos e perdimento de bens ao final da ação penal.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos e outros materiais que serão submetidos à perícia. As investigações continuam e poderão resultar na identificação de novos envolvidos e na adoção de outras medidas judiciais.

A Operação Golden integra a Operação Pharus, iniciativa da Polícia Civil dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em Mato Grosso.

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