Altos Rendimentos

Levantamento aponta supersalários entre magistrados brasileiros

Entre os dados levantados, chama atenção a quantidade de magistrados que receberam valores acima do teto constitucional

Por Eder Pereira 12/08/2026 às 16:00 3 min de leitura

Um levantamento realizado pelo pesquisador Sérgio Guedes-Reis, auditor de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), colocou novamente em evidência os altos rendimentos pagos no Judiciário brasileiro. O estudo foi produzido para a República.org e analisou a remuneração de carreiras jurídicas no Brasil, além de fazer uma comparação com outros dez países.

A pesquisa, divulgada em março de 2026, aponta que os rendimentos de magistrados brasileiros estão entre os mais elevados do mundo. A análise considera salários, benefícios e outras parcelas recebidas pelos integrantes das carreiras jurídicas.

Entre os dados levantados, chama atenção a quantidade de magistrados que receberam valores acima do teto constitucional. Em 2025, 86,3% dos 22.347 juízes, desembargadores e pensionistas analisados tiveram remuneração superior ao limite constitucional, atualmente vinculado ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de R$ 46,3 mil mensais.

Na prática, os chamados “supersalários” são impulsionados principalmente por verbas e benefícios que, em determinadas situações, ficam fora do cálculo do teto remuneratório. O estudo identificou que os pagamentos acima do limite constitucional representam uma parcela expressiva dos gastos públicos com as carreiras jurídicas.

Os números também revelam casos extremos. Segundo o levantamento, 637 integrantes das carreiras analisadas receberam mais de R$ 2 milhões ao longo de 2025. Entre os magistrados, os pagamentos acima do teto somaram R$ 12,6 bilhões no ano, com remuneração média de aproximadamente R$ 1,085 milhão entre aqueles que receberam valores acima do limite — o equivalente a cerca de R$ 90,4 mil por mês.

O estudo ainda aponta que o problema não está restrito à magistratura. Considerando diferentes carreiras jurídicas, como Ministério Público, advocacia pública e Defensoria Pública, o levantamento identificou dezenas de milhares de servidores com pagamentos acima do teto constitucional. Em 2025, os gastos com valores que ultrapassaram o limite chegaram a R$ 24,3 bilhões.

A comparação internacional realizada por Guedes-Reis também mostra que a remuneração da magistratura brasileira está acima da observada em diversos países analisados, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Portugal, México, Argentina, Chile e Colômbia. Os magistrados que estão entre os 25% mais bem pagos do Brasil aparecem no topo da comparação internacional.

Além de apresentar o cenário atual, o estudo calcula o impacto de uma eventual mudança nas regras. Segundo estimativa divulgada em março, o Brasil poderia economizar R$ 186,4 bilhões em dez anos caso fossem adotadas medidas mais rígidas para limitar os supersalários e reorganizar a estrutura remuneratória das carreiras jurídicas.

Os dados reacendem o debate sobre o cumprimento do teto constitucional e sobre os chamados “penduricalhos” pagos a integrantes do serviço público. A discussão envolve não apenas os valores recebidos individualmente, mas também o impacto dessas despesas sobre as contas públicas e a necessidade de estabelecer regras mais uniformes para a remuneração das carreiras de Estado.

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