Procurador-geral do Estado pede exoneração um dia após operação da PF na PGE

O procurador Francisco Lopes pediu exoneração do cargo de procurador-geral do Estado nesta sexta-feira (7) ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A saída ocorre um dia após a Polícia Federal realizar buscas na sede da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), em Cuiabá, durante a Operação Heritage.
Francisco Lopes foi um dos alvos da investigação. Ao anunciar a saída do procurador, Pivetta destacou a atuação dele à frente da PGE.
“Nós todos que conhecemos você [Francisco] sabemos o quanto você serviu este Estado, teu caráter irretocável, a lealdade ao povo de Mato Grosso”, afirmou o governador.
Para ocupar o cargo, Pivetta designou o procurador Felipe Florêncio, que atua na PGE há 13 anos.
A Operação Heritage apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e uso indevido de informações privilegiadas relacionado a um acordo de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso, por meio da PGE, e a empresa de telefonia Oi S.A.
Durante as investigações, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento de Francisco Lopes e de outros três procuradores do exercício das funções públicas. O pedido foi negado pelo ministro Flávio Dino.
Francisco, porém, foi submetido a outras medidas cautelares, incluindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal, proibição de deixar o país, com recolhimento do passaporte, e proibição de contato com outros investigados.
Operação Heritage
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.
Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões. Conforme a investigação, os recursos teriam sido movimentados por meio de uma estrutura composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos valores.


