Anvisa proíbe suplemento popular no TikTok após caso de falência hepática
Ashwagandha não está entre os ingredientes autorizados para suplementos alimentares no Brasil; alerta ganhou repercussão após uma britânica de 44 anos precisar de transplante de fígado.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a proibição da fabricação, comercialização, distribuição e uso de suplementos alimentares à base de ashwagandha no Brasil. A erva asiática ganhou popularidade nas redes sociais, especialmente no TikTok, por promessas de relaxamento e alívio dos sintomas da perimenopausa.
O alerta foi divulgado após a repercussão do caso de Lois Kinder, uma britânica de 44 anos que desenvolveu insuficiência hepática aguda depois de consumir um suplemento à base da planta. A mulher precisou passar por um transplante de fígado e sofreu complicações graves, incluindo paradas cardíacas e danos cerebrais.
Segundo a Anvisa, a ashwagandha não possui registro no país e não integra a lista de ingredientes autorizados para uso em suplementos alimentares. Por isso, produtos dessa categoria que contenham a substância não podem ser fabricados, comercializados, distribuídos ou utilizados no Brasil.
Caso grave no Reino Unido
De acordo com relatos da família, Lois começou a apresentar problemas de saúde em julho de 2026 e foi levada às pressas a um hospital na Inglaterra. Após o diagnóstico de insuficiência hepática aguda, ela foi colocada em coma induzido e incluída na lista de espera para um transplante de emergência.
A cirurgia ocorreu após a identificação de um doador, mas a paciente sofreu três paradas cardíacas durante o procedimento. As complicações provocaram falta de oxigenação no cérebro e resultaram em danos neurológicos significativos. A extensão de sua recuperação permanece incerta.
Embora o caso tenha motivado o alerta sanitário, a ocorrência isolada não comprova, por si só, que a ashwagandha tenha sido a causa direta da falência hepática.
Promessas nas redes sociais
A ashwagandha é uma planta de origem asiática utilizada tradicionalmente na medicina ayurvédica. Seus extratos são divulgados na internet como alternativas para relaxamento, controle do estresse e alívio de sintomas relacionados à perimenopausa.
O produto ganhou visibilidade nas redes sociais e passou a ser comercializado em formatos como gomas e cápsulas. No entanto, a popularidade e a divulgação de supostos benefícios não garantem a segurança nem a eficácia de um suplemento.
A Anvisa ressalta que os suplementos alimentares devem conter apenas ingredientes autorizados e não podem ser anunciados com promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças.
A agência também alerta que produtos irregulares podem conter substâncias não avaliadas ou apresentar falhas de fabricação. Mesmo suplementos regularizados podem causar danos quando utilizados de maneira inadequada.
Orientação aos consumidores
A recomendação é procurar orientação de um profissional de saúde antes de utilizar suplementos, inclusive os divulgados por influenciadores digitais. A necessidade de suplementação deve considerar as condições individuais, a alimentação e a prática de atividade física.
Sinais como pele e olhos amarelados, vômitos persistentes ou alterações de consciência exigem avaliação médica imediata.
O alerta reforça que produtos apresentados como naturais não são necessariamente seguros e que a comercialização pelas redes sociais não substitui a avaliação sanitária exigida para produtos destinados ao consumo humano.


