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Embrapa descobre nova bactéria associada ao ‘mal do olho’ e abre caminho para vacinas bovinas mais eficazes

Identificação do microrganismo explica falhas em imunizantes tradicionais e orienta a criação de vacinas mais completas para o rebanho

Por Camila Almeida 19/08/2026 às 16:00 2 min de leitura

Pecuaristas de todo o país têm agora uma resposta para uma das maiores dores de cabeça do campo: as falhas na vacinação contra a Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina, popularmente chamada de “mal do olho”. Uma pesquisa liderada pela Embrapa identificou uma espécie inédita de bactéria presente em bovinos infectados, o que permitirá criar imunizantes muito mais eficientes e proteger a produtividade dos rebanhos.

A nova bactéria foi batizada de Moraxella tarda por conta do seu crescimento lento. O achado prova que a infecção ocular não é causada por um único agente, mas sim por um grupo mais amplo de microrganismos.

Principais descobertas sobre a nova bactéria

  • Identificação precisa: isolada inicialmente no Rio Grande do Sul em gado da raça Hereford, a bactéria teve sua amostra registrada em acervos científicos de referência no Brasil, Bélgica e Portugal.
  • Crescimento lento: enquanto outras bactérias do mesmo grupo se multiplicam em 24 horas, a M. tarda leva 48 horas para formar colônias visíveis.
  • Genoma reduzido: possui o menor código genético já registrado para o seu gênero, com apenas 77% a 79% de semelhança com as espécies conhecidas.

Impactos práticos para o pecuarista e a saúde animal

  • Vacinas mais completas: os imunizantes atuais consideram apenas os agentes antigos. A inclusão da nova espécie permitirá formular vacinas polivalentes com maior proteção.
  • Diagnóstico rápido: projetos em andamento já desenvolvem testes do tipo qPCR para identificar o problema rapidamente nas fazendas.
  • Melhoramento genético: os dados ajudam a selecionar animais naturalmente mais resistentes à doença.
  • Pesquisa sem sofrimento animal: os próximos testes serão feitos em córneas descartadas por frigoríficos, sem a necessidade de infectar bois vivos em laboratório.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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