Prefeitura admite poder de articulação de Fidelis na Câmara ao tentar barrar afastamento
O caso coloca em evidência uma questão política além da discussão jurídica

A Prefeitura de Várzea Grande utilizou como um dos principais argumentos para tentar manter Silvio Fidelis no cargo de secretário de Governo a capacidade de articulação política dele junto à Câmara Municipal.
No recurso apresentado contra a decisão que determinou o afastamento de Fidelis, a Procuradoria Geral do Município (PGM) afirma que a saída do secretário prejudicaria a interlocução do Executivo com o Legislativo justamente em um momento em que a administração precisa aprovar medidas relacionadas ao reequilíbrio financeiro do município.
A argumentação chama atenção porque, ao mesmo tempo em que sustenta que Fidelis não teria condições de interferir nas investigações sobre o contrato de transporte escolar, a própria Prefeitura reconhece que ele possui papel estratégico na articulação política com os vereadores.
Segundo a PGM, os servidores que participaram da execução do contrato investigado estão vinculados a outras secretarias e órgãos, não havendo subordinação hierárquica ou funcional ao secretário de Governo. Por isso, o município afirma que não existiria risco concreto de Fidelis embaraçar a produção de provas.
O Ministério Público de Mato Grosso, porém, já havia recomendado o afastamento do secretário durante as investigações, apontando preocupação com possíveis riscos à apuração.
O caso coloca em evidência uma questão política além da discussão jurídica: se a própria Prefeitura considera Fidelis peça importante para negociar e articular medidas com a Câmara, qual é exatamente a extensão de sua influência dentro do governo e junto aos vereadores?
A decisão sobre o afastamento agora está sob análise em razão do recurso apresentado pelo município.


