Remédios para obesidade entram em pneus no Brasil, Anvisa alerta para riscos de substâncias sem controle
Falta de acesso pelo SUS e preços altos no mercado formal empurram consumidores para versões ilegais vindas do Paraguai sem qualquer garantia sanitária

A promessa de perdas de peso rápidas a custos reduzidos está transformando o desejo de emagrecer em uma perigosa roleta-russa para milhares de brasileiros. Impulsionados pelo preço salgado das chamadas “canetas emagrecedoras” no mercado formal, consumidores estão recorrendo a versões clandestinas contrabandeadas do Paraguai, expondo a saúde a substâncias desconhecidas e sem qualquer fiscalização sanitária.
A prática atinge uma parcela expressiva do país: com quase 60% da população adulta brasileira apresentando excesso de peso, a busca desesperada por tratamentos acessíveis criou um nicho lucrativo para o crime organizado.
Como o mercado clandestino funciona e burlar a fiscalização
As rotas de entrada no país utilizam esquemas complexos de ocultação para burlar a Receita e a Polícia Federal. Os medicamentos são transportados de forma clandestina no interior de pneus de veículos, embutidos em fundos falsos ou camuflados no meio de cargas comerciais legítimas.
Além da dúvida sobre a fórmula, o transporte irregular em altas temperaturas compromete a eficácia e a estabilidade da medicação. Produtos sem selo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não têm procedência confirmada, podendo conter desde água destilada até substâncias tóxicas.
Os riscos diretos para quem compra produtos sem Anvisa
Médicos e autoridades sanitárias reforçam que o uso dessas versões paralelas traz ameaças graves à saúde. Não há como saber a real concentração do princípio ativo ou a presença de contaminações bacterianas na agulha ou no líquido.
Sem acompanhamento médico, o uso de dosagens erradas pode provocar complicações renais, pancreatite e desidratação severa. Além do dano à saúde, o consumidor corre o risco de pagar por produtos totalmente ineficazes ou falsificados.
*Sob supervisão de Gene Lannes


