Prédio centenário no Porto será transformado em Museu de Arte de Mato Grosso
Antiga sede do Grupo Escolar Senador Azeredo e da Casa do Artesão passa por obras e deve receber visitantes no primeiro semestre de 2027.

Um prédio histórico com mais de um século de existência, localizado entre as ruas 13 de Junho e Senador Metelo, no bairro Porto, em Cuiabá, está sendo preparado para ganhar uma nova função. O imóvel, que já abrigou uma escola e a Casa do Artesão, será transformado na sede do Museu de Arte de Mato Grosso.
Tombado como patrimônio histórico, o prédio possui arquitetura eclética, com elementos neoclássicos e barrocos. Segundo a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), a previsão é que o espaço seja aberto à visitação no primeiro semestre de 2027.
A história do imóvel começou em 10 de setembro de 1910, quando foi inaugurado o Grupo Escolar Senador Azeredo, durante a gestão do então presidente do Estado, Pedro Celestino Corrêa da Costa. A unidade funcionou no local por 65 anos.
Segundo o historiador Francisco das Chagas, a construção fazia parte de um projeto que buscava criar dois polos educacionais em Cuiabá, um na região central e outro no Porto.
“Foi um avanço muito importante na educação do estado de Mato Grosso, porque, nessa época, o presidente do Estado mandou vir de São Paulo renomados professores para fazer uma transformação no ensino do Estado”, explicou.
Na época, o Porto era uma das principais portas de entrada de Cuiabá, devido à movimentação de embarcações pelo Rio Cuiabá. O Grupo Escolar Senador Azeredo atendia moradores da região e também estudantes de Várzea Grande, que naquele período ainda pertencia a Cuiabá.
Casa do Artesão
Após décadas como instituição de ensino, o imóvel ganhou uma nova função. Em 1975, por iniciativa de Maria Lygia de Borges Garcia, então primeira-dama do Estado, passou a abrigar a Casa do Artesão.
Em 1983, o prédio foi tombado pela Fundação Cultural de Mato Grosso e passou a integrar o Patrimônio Artístico e Cultural do Estado.
A Casa do Artesão tinha como objetivo valorizar a produção artesanal mato-grossense. Segundo o historiador, aproximadamente 200 artesãos estavam cadastrados e o espaço reunia cerca de 2 mil peças produzidas com materiais como cerâmica, madeira, fibras, couro e tecidos.
“Isso é muito importante, porque foi algo inédito no Estado. A Casa do Artesão foi criada justamente para valorizar a mão de obra existente em Mato Grosso, que era desconhecida por públicos de outros estados e de outros países”, afirmou.
O local também chegou a receber o Museu do Artesanato, criado em 1982 para reunir peças representativas das manifestações culturais de Mato Grosso.
A Casa do Artesão funcionou no prédio até 2018. Depois disso, o imóvel permaneceu fechado até a definição de sua nova utilização como sede do Museu de Arte de Mato Grosso.
Preservação da estrutura
Apesar das diferentes funções ao longo de mais de 100 anos, o prédio mantém elementos originais de sua construção.
Segundo Francisco das Chagas, a fachada, portas, janelas, paredes, muro e gradil preservam características históricas do imóvel.
“Não se deve desconfigurar um prédio tão importante como aquele. Se você observar, ele tem as portas originais, as janelas originais, as paredes originais, muro, gradil. Tudo é original dentro daquele prédio”, afirmou.
Para o historiador, a preservação desses elementos é fundamental para manter a memória do local e permitir que as futuras gerações conheçam sua história.
Adequações para o museu
A instalação do Museu de Arte de Mato Grosso passou por discussões sobre a destinação do imóvel entre 2021 e 2024. Segundo Robson de Carvalho, superintendente de Preservação de Patrimônio Histórico e Museológico da Secel-MT, a secretaria apresentou a proposta do museu e conseguiu transferir o prédio para a área da cultura.
O imóvel passou para a responsabilidade da Secel em 2024. O projeto de adequação teve estudos iniciados no começo deste ano, enquanto as obras começaram há aproximadamente três meses.
O investimento informado é de R$ 3,178 milhões, provenientes de recursos federais destinados à adequação do espaço.
Segundo o superintendente, a arquitetura histórica será preservada.
“Não vai ser mudado nada. Vai ser preservada a arquitetura do local, vai ser feita manutenção do que existe lá. O que haverá é uma expografia”, afirmou.
Entre as intervenções estão a instalação de iluminação específica para as obras, adequações nas instalações hidrossanitárias e nos banheiros, reforço da acessibilidade e melhorias nos sistemas de prevenção e combate a incêndios.
Novo espaço cultural
Além das exposições, o museu deverá oferecer cursos, oficinas e outras atividades relacionadas à arte de Mato Grosso. O espaço também terá uma função acadêmica, com atividades voltadas à formação e ao trabalho com acervos museológicos.
A previsão é que as obras sejam realizadas ao longo deste ano e que o museu comece a receber visitantes no primeiro semestre de 2027.
Para o historiador Francisco das Chagas, a nova função representa uma continuidade da história do imóvel, que passou pela educação e pelo artesanato antes de chegar às artes.
“Eu creio que a criação desse novo espaço, também voltado para a valorização da cultura e das artes, faz com que o prédio tenha um renascimento”, afirmou.
A proposta é que o próprio museu também preserve a memória do prédio, com informações sobre sua construção, fotografias antigas e registros das pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
“Esse espaço será novamente a vitrine das produções artísticas aqui de Mato Grosso”, finalizou.


