Isolado após fuga para os EUA, Flávio Bolsonaro é criticado por aliados que reconhecem vitória de Lula
Legendas de sustentação, o próprio PL, governadores e lideranças evangélicas reafirmam a lisura do processo eleitoral e rejeitam tentativa de autoproclamação

A insistência em questionar o resultado das urnas e a saída repentina para os Estados Unidos deixaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) politicamente isolado. Em um movimento em cadeia, partidos da sua própria base de apoio, governadores, coordenadores de campanha e até líderes religiosos foram a público reconhecer a vitória legítima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
A onda de rejeição à postura do parlamentar se intensificou após a divulgação de um manifesto no qual Flávio chegou a se autodeclarar o “verdadeiro presidente” e líder da oposição, mesmo estando fora do país.
Partidos políticos confirmam lisura das urnas
Mesmo legendas e figuras centrais que apoiaram a candidatura de Flávio Bolsonaro vieram a público para chancelar a contagem de votos do Tribunal Superior Eleitoral:
União Brasil: Em nota assinada pelo presidente Antonio Rueda, a legenda afirmou que o pleito “transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.
MDB: Partido com lideranças que apoiaram o senador, usou as redes sociais para reforçar a confiança no sistema eleitoral.
PL (Partido Liberal): A própria sigla do parlamentar e de sua família tornou público o reconhecimento formal da vitória de Lula.
Rogério Marinho (PL-RN): Coordenador de campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, admitiu categoricamente a ausência de qualquer prova de fraude no pleito.
Aliados e líderes evangélicos cobram responsabilidade
Aliados estratégicos também divergiram da postura adotada pelo candidato derrotado. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou compreender a indignação, mas ressaltou que a conjuntura exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.
No meio religioso, o bispo JB Carvalho, líder da igreja Comunidade das Nações, frequentada por Flávio em Brasília, divulgou mensagem nesta quarta-feira (28/10) em defesa direta do resultado das urnas.
Críticas à “oposição EAD” no exterior
A estratégia de tentar liderar a oposição a partir do território americano também virou alvo de deboche e duras críticas entre políticos da direita.
O ex-candidato presidencial Renan Santos (Missão) ironizou a atitude de Flávio ao classificá-la como uma “oposição EAD” (à distância). Para Renan, a tentativa de reproduzir o modelo do venezuelano Juan Guaidó não traz benefícios ao Brasil e não encontra respaldo, uma vez que o seu próprio partido (PL) segue operando normalmente dentro do país.
*Sob supervisão de Gene Lannes


