Boletim Focus

Inflação estoura teto da meta pelo 3º mês seguido e juros altos devem continuar no Brasil

Terceira alta seguida na estimativa da inflação oficial mantém o custo de vida elevado e pressiona o Banco Central a segurar os juros altos

Por Camila Almeida 05/10/2026 às 01:30 2 min de leitura

O bolso do consumidor brasileiro deve continuar sob pressão nos próximos meses. Os principais analistas do mercado financeiro voltaram a subir a estimativa para a inflação oficial do país em 2026, projetando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,01%.

Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5/10) pelo Banco Central. Trata-se da terceira elevação consecutiva do indicador, consolidando uma perspectiva de custo de vida mais alto do que o teto estabelecido pelo governo.

Inflação estoura o teto e juros seguem elevados

A nova projeção de 5,01% coloca a inflação de 2026 acima do limite máximo permitido pelo sistema de metas do Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 3%, com margem de tolerância que vai até 4,5%.

Para tentar conter esse encarecimento de preços, a projeção do mercado para a taxa básica de juros (Selic) foi mantida no patamar elevado de 13,5% ao ano até o fim de 2026:

  • O que isso significa na prática: quando o Banco Central mantém a Selic alta, o crédito (empréstimos, financiamentos e cartão) fica mais caro para a população e para as empresas.
  • O objetivo da medida: ao esfriar o consumo e o investimento, a autoridade monetária busca reduzir a pressão sobre os preços nas prateleiras.

O que esperar do dólar e do crescimento da economia (PIB)

Com a inflação persistente e os juros elevados, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a soma das riquezas produzidas no país, sofreu uma leve revisão para baixo, caindo de 1,86% para 1,85% em 2026.

Confira as estimativas do mercado para os próximos anos:

  • Dólar: a projeção para a cotação da moeda americana no fim deste ano permaneceu estável em R$ 5,20 (com previsão de R$ 5,28 em 2027).
  • Selic futura: a expectativa é de queda gradual dos juros nos anos seguintes, caindo para 12% em 2027 e 10,5% em 2028.
  • IPCA futuro: para 2027, a projeção do IPCA recuou levemente de 4,31% para 4,30%, enquanto para 2028 permaneceu fixada em 3,8%.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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