Alta Complexidade

Hospital Central amplia cirurgias cardíacas com hemodinâmica

Nova tecnologia permitirá procedimentos minimamente invasivos pelo SUS, incluindo atendimentos cardíacos pediátricos em Mato Grosso.

Por Matheus Marques 19/06/2026 às 17:00 3 min de leitura

Com o início do serviço de hemodinâmica, o Hospital Central de Alta Complexidade passou a ampliar a oferta de procedimentos cardiovasculares pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso, incluindo o atendimento de crianças com doenças cardíacas congênitas.

A tecnologia permite a realização de intervenções minimamente invasivas, sem necessidade de cortes cirúrgicos, garantindo maior precisão nos procedimentos e recuperação mais rápida aos pacientes.

A hemodinâmica consiste na introdução de cateteres nos vasos sanguíneos para realização de exames diagnósticos e tratamentos terapêuticos com visualização em tempo real das imagens. Além da cardiologia, a estrutura também será utilizada em áreas como neurologia e cirurgia vascular.

A previsão do Hospital Central é realizar, a partir de julho, cerca de 240 procedimentos cardíacos mensais entre adultos e crianças.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, a implantação do serviço integra o processo de consolidação da unidade hospitalar.

“Estamos contentes porque, até o final de julho, o Hospital Central deverá estar operando plenamente, ofertando todas as especialidades e procedimentos para os quais foi estruturado”, afirmou.

A diretora da unidade, Alessandra Bokor, destacou que a oferta da hemodinâmica fortalece o perfil assistencial do hospital.

“Estamos estruturando essa linha de cuidado de forma progressiva, incorporando tecnologias que ampliam o acesso a procedimentos de alta complexidade e permitem tratamentos mais seguros e resolutivos para a população”, disse.

De acordo com o coordenador de Medicina Diagnóstica do Hospital Central, Matheus Horie, a hemodinâmica permite tanto o diagnóstico quanto o tratamento de doenças cardiovasculares e vasculares.

“É aplicada em exames como arteriografias e angiografias, permitindo a realização de cateterismos e tratamentos endovasculares de forma minimamente invasiva”, explicou.

Atualmente, a unidade conta com uma equipe formada por 18 profissionais especializados, entre cardiologistas, radiologistas intervencionistas, neurorradiologistas, cirurgiões endovasculares e eletrofisiologistas.

Uma das máquinas de hemodinâmica, em funcionamento desde abril, já foi utilizada no tratamento de três crianças diagnosticadas com persistência do canal arterial, uma malformação congênita cardíaca.

“Sem o procedimento, elas poderiam desenvolver problemas cardíacos mais graves. O tratamento precoce reduz significativamente esse risco”, relatou Matheus Horie.

Entre crianças e adultos, o Hospital Central já realizou aproximadamente 60 procedimentos utilizando a tecnologia, incluindo tratamentos terapêuticos e exames diagnósticos.

Um dos pacientes atendidos foi um morador de Vila Rica, de 59 anos, encaminhado à unidade com suspeita de infarto. Após confirmação do diagnóstico, ele passou por cateterismo para desobstrução da artéria coronária e apresentou boa recuperação, recebendo alta poucos dias depois.

O Hospital Central de Alta Complexidade é administrado pelo Einstein Hospital Israelita e oferece atendimento totalmente gratuito pelo SUS.

O Einstein é considerado atualmente o melhor hospital da América Latina e ocupa a 16ª posição no ranking mundial “The World’s Best Hospitals 2026”, elaborado pela revista Newsweek em parceria com a empresa Statista Inc.

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