Gaeco apura reuniões, suspeita de compra de votos e plano contra prefeita de VG
Como parte da Operação Cathedra Venalis, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

A investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Cathedra Venalis, apura uma suposta articulação política em Várzea Grande que teria como objetivo enfraquecer a prefeita Flávia Moretti (PL) e abrir caminho para que o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), assumisse o comando da Prefeitura. O caso envolve suspeitas de corrupção, compra de votos e formação de organização criminosa.
Segundo os relatos reunidos pelos investigadores, a articulação teria começado ainda na transição entre 2024 e 2025, antes da posse da atual gestão municipal. Uma testemunha com identidade preservada afirmou que vereadores teriam participado de uma reunião em uma chácara do parlamentar Miguel Júnior, no Distrito da Guia, em Cuiabá. O encontro teria como objetivo reunir apoio à eleição de Wanderley para a presidência da Câmara. O depoimento também menciona um suposto apoio financeiro do empresário Rômulo Botelho e de William Cerqueira, filho do presidente do Legislativo.
Na sequência, a investigação passou a apurar relatos de uma possível tentativa de formação de maioria parlamentar para viabilizar um processo de cassação contra Flávia Moretti. Em depoimento, o vereador Caio Cordeiro (Novo) afirmou que um eventual afastamento da prefeita poderia beneficiar Wanderley na sucessão municipal. Até o momento, não há comprovação de que uma proposta formal de cassação tenha sido apresentada ou de que existissem votos suficientes para aprová-la.
Um dos episódios analisados ocorreu em 13 de maio de 2026, na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028. Conforme a denúncia, mais de dez vereadores teriam participado de uma reunião para consolidar apoio à recondução de Wanderley à presidência do Legislativo. O relato também menciona a presença de homens armados e uma suposta negociação de votos mediante pagamentos em dinheiro.
Diligências realizadas pelo Gaeco identificaram movimentação na propriedade e a presença de parlamentares e veículos relacionados a vereadores. Essas informações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores, mas ainda precisam ser contextualizadas e confrontadas com as demais provas.
A apuração também alcançou possíveis interesses econômicos relacionados ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. Segundo Caio Cordeiro, Wanderley teria demonstrado interesse na concessão ou privatização do departamento e mencionado a possibilidade de distribuir aproximadamente R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada. A declaração é investigada e não constitui, isoladamente, comprovação de oferta de vantagem indevida.
Como parte da Operação Cathedra Venalis, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão Wanderley Cerqueira e os vereadores Rogerinho da Dakar, Raul Curvo, Gisa Barros, Cilcinho, Braz Jaciro, Alessandro Moreira, Wender Silva, Denival Galibert, Miguel Angel, Lucélia Oliveira, Kleberton Feitoza e Emerson Cesar.
A lista inclui ainda a diretora financeira da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, o secretário legislativo Samir Japonês e os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues.
O Gaeco busca esclarecer se houve negociação de votos, oferta de benefícios indevidos e uma articulação efetiva para afastar a prefeita. As suspeitas permanecem sob investigação, e a condição de alvo da operação não significa comprovação de responsabilidade criminal.
Reforce o caráter investigativo no títuloDestaque a operação e os mandados


