Pecuária reduz gases poluentes e compensa alta na agricultura, revelam dados do setor
Pecuária reduz liberação de metano após abate recorde de bovinos, enquanto avanço do uso de fertilizantes puxa emissões das lavouras para cima

A produção agropecuária brasileira alcançou em 2025 o maior nível de estabilidade nas suas emissões de gases do efeito estufa em mais de meio século. O setor registrou 626,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, praticamente repetindo os dados do ciclo anterior (variação de apenas -0,07%), o menor índice de oscilação anual apurado desde 1970.
Essa neutralidade no balanço ambiental reflete a busca por ganho de eficiência no campo, onde o abate recorde de gado freou a pegada de carbono da pecuária e compensou o aumento de insumos nas lavouras.
Pecuária recua, mas lavouras agrícolas sobem
O equilíbrio do indicador é fruto de duas forças opostas no agronegócio nacional:
- Pecuária em queda (-1,68%): o segmento reduziu suas emissões para 494,1 milhões de toneladas, puxado pela diminuição no volume do rebanho bovino.
- Lavouras em alta (+6,45%): a produção agrícola subiu para 132,1 milhões de toneladas de CO2, impulsionada pelo maior uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados (33 milhões de t) e calcário agrícola (29,2 milhões de t).
Apesar do recuo, a criação de gado de corte continua liderando o inventário ambiental, sendo responsável por 65,6% de todas as emissões da agropecuária nacional (410,7 milhões de t), seguida pela pecuária leiteira (48,6 milhões de t).
Abate recorde e processo digestivo do gado
A queda nos poluentes gerados pela pecuária está diretamente ligada à redução da fermentação entérica, nome técnico para o gás metano liberado no processo digestivo dos bovinos, que caiu 1,8% ao atingir 396,8 milhões de toneladas.
A explicação para essa retração é o ritmo acelerado de abates nos frigoríficos brasileiros:
- Abate histórico: os abatedouros processaram 42,94 milhões de cabeças de gado (alta de 8,2%), gerando 11,1 milhões de toneladas de carcaça.
- Rebanho menor: o ritmo de abate encolheu o rebanho bovino nacional em 1,7%, fechando em 234,2 milhões de animais.
Mais leite com menos vacas no pasto
No segmento leiteiro, o número de fêmeas ordenhadas caiu 2,7%, somando 14,7 milhões de vacas. No entanto, o aumento da produtividade do setor permitiu produzir mais com menos recursos.
Segundo o IBGE, a captação de leite cru cresceu 2,7% e atingiu a marca recorde de 36,7 bilhões de litros, provando que o investimento em manejo sustentável e genético tem gerado mais resultados com menor impacto ambiental.
*Sob supervisão de Gene Lannes


