Extrema Violência

Delegada revela que vítima ainda apresentava sinais de vida quando suspeito ateou fogo em corpo em Várzea Grande

Em depoimento, Gabryel alegou que havia marcado um encontro com a vítima e que uma discussão antecedeu o assassinato

Por Eder Pereira 09/06/2026 às 15:15 3 min de leitura

A investigação sobre o assassinato de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, ganhou novos contornos após a Polícia Civil divulgar detalhes que evidenciam a extrema violência do crime ocorrido em Várzea Grande. Segundo a delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito confessou ter incendiado o corpo da vítima quando ela ainda apresentava sinais vitais.

Durante entrevista à imprensa, a delegada afirmou que o relato do investigado pode levar a uma ampliação das acusações criminais. Conforme a autoridade policial, Gabryel Junio de Almeida Dirceu declarou que a vítima ainda se movimentava no momento em que o fogo foi ateado.

“Quando ateou fogo ao corpo da vítima, ela ainda estava viva. Ele disse que ela ainda se mexia, não conseguia balbuciar, mas estava naquele período que chamamos de período perimorte”, revelou a delegada.

Diante da gravidade da informação, a Polícia Civil solicitou exames complementares à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para determinar se a vítima morreu antes ou depois de ser incendiada.

Segundo Jéssica Assis, os novos laudos serão fundamentais para definir se o caso será enquadrado apenas como feminicídio ou se outras qualificadoras e crimes poderão ser acrescentados ao inquérito.

“Vamos verificar se houve exaurimento do crime, se pode ter sido configurado um crime de tortura ou se efetivamente se tratou apenas de ocultação de cadáver após o homicídio”, explicou.

O crime ocorreu em um terreno baldio na região central de Várzea Grande. Após diligências realizadas pela DHPP, o suspeito foi localizado e preso em uma residência no bairro Dom Aquino, em Cuiabá.

Em depoimento, Gabryel alegou que havia marcado um encontro com a vítima e que uma discussão antecedeu o assassinato. No entanto, a versão apresentada contém diversas contradições apontadas pelos investigadores.

De acordo com a delegada, um dos pontos que levantam suspeitas é o fato de o investigado estar com a bolsa da vítima após o crime. Além disso, a narrativa apresentada por ele não se sustenta diante dos elementos já coletados durante a investigação.

“Ele diz que a vítima não queria ser empurrada para o mato. Como pode alegar que houve consentimento se a vítima manifestou claramente que não queria?”, questionou.

Para a Polícia Civil, os indícios reforçam a caracterização de feminicídio, crime motivado pela condição de gênero da vítima.

Ao comentar o caso, Jéssica Assis classificou o assassinato como revoltante e afirmou que a violência sofrida por Josivany reflete uma realidade enfrentada por muitas mulheres.

“Esse feminicídio demonstra como a rejeição e o não da mulher ainda não são aceitos por alguns agressores, que desconsideram sua autonomia e dignidade”, declarou.

A delegada também relacionou o episódio a outros casos recentes de violência contra mulheres e meninas registrados em Mato Grosso, destacando que situações como essas evidenciam a persistência da cultura de violência de gênero.

O suspeito permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para finalizar o inquérito e definir se novas acusações serão incluídas no processo.

Leia Também

Deixe seu comentário