Alerta sanitário

Baixa vacinação deixa Brasil em alerta para novos surtos de sarampo

Nenhum estado alcançou a meta de imunizar 95% das crianças com duas doses da vacina; país confirmou 61 casos da doença em 2026 até 19 de outubro.

Por Matheus Marques 24/10/2026 às 15:04 3 min de leitura

A baixa cobertura vacinal contra o sarampo mantém o Brasil em alerta para o risco de novos surtos. Embora o país tenha recuperado, em novembro de 2024, o reconhecimento internacional de território livre da circulação endêmica da doença, os índices de imunização seguem abaixo do recomendado para impedir a transmissão sustentada do vírus.

Segundo reportagem publicada pela Rádio Itatiaia neste sábado (24), nenhum estado brasileiro atingiu, em 2026, a meta de vacinar 95% das crianças com as duas doses da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. A cobertura nacional da segunda dose permanece abaixo de 80%.

De acordo com dados do Ministério da Saúde citados na reportagem, até 19 de outubro, o Brasil havia confirmado 61 casos de sarampo, distribuídos entre São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e Acre. Desse total, 44 estavam associados a surtos ativos e 17 a surtos já encerrados.

O cenário preocupa diante do avanço da doença em outros países das Américas. Os Estados Unidos registram, em 2026, o maior número anual de casos em mais de 35 anos. Mais de 90% dos infectados são pessoas não vacinadas ou sem informação sobre a situação vacinal, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram a maior parte dos casos confirmados neste ano na região, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A circulação internacional de pessoas aumenta o risco de introdução do vírus no Brasil, especialmente em comunidades com vacinação incompleta.

Em 2019, o país perdeu a certificação de eliminação do sarampo após registrar transmissão sustentada por mais de 12 meses. Naquele ano, foram confirmados mais de 20 mil casos. A recertificação ocorreu em novembro de 2024, após a interrupção da circulação endêmica.

Vacinação é a principal prevenção

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo calendário de rotina, a primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 15 meses.

A primeira dose oferece proteção de aproximadamente 93% contra o sarampo. Com duas doses, a eficácia chega a cerca de 97%.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas com doses atrasadas procurem uma unidade de saúde para verificar a caderneta e atualizar a vacinação conforme a idade e as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Entre três e cinco dias após o início dos sintomas, podem surgir manchas vermelhas na pele, geralmente começando pelo rosto e se espalhando pelo corpo.

A doença pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas, pessoas desnutridas e indivíduos com imunidade comprometida. Diante de sintomas compatíveis, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar a suspeita aos profissionais.

A vacinação e a vigilância epidemiológica são consideradas fundamentais para conter a disseminação do vírus e preservar o status brasileiro de país livre da circulação endêmica do sarampo.

Leia Também

Deixe seu comentário