Sem garantia de votos

Votação do fim da escala 6×1 no Plenário do Senado é adiada para depois das eleições

Base governista preferiu não arriscar apreciação em Plenário por medo de derrota e pauta agora só retorna no esforço concentrado de outubro

Por Camila Almeida 03/09/2026 às 13:00 3 min de leitura

O trabalhador que aguarda o fim da jornada 6×1 terá que esperar até depois do primeiro turno das eleições para ver o projeto avançar no Congresso. Mesmo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a base governista no Senado decidiu retirar o texto da pauta do Plenário nesta quarta-feira (2/9) por falta de garantia sobre o número mínimo de votos necessários.

Com o recuo estratégico, a votação definitiva da medida foi adiada para o próximo esforço concentrado de votações em Brasília, agendado para a segunda semana de outubro.

Fator eleitoral e o risco de derrota na votação

A decisão de congelar a tramitação foi tomada em conjunto pelo líder do governo, senador Randolfe Rodrigues, e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Por se tratar de uma alteração na Constituição, a PEC exige o apoio de no mínimo 49 dos 81 senadores (60% da Casa) em dois turnos de votação.

A base aliada estimava contar com até 54 votos favoráveis, mas a baixa presença de parlamentares em Brasília, impulsionada pelos compromissos da campanha eleitoral nos estados, acendeu o sinal de alerta. Uma eventual falta de quorum no momento da votação levaria à rejeição definitiva do projeto, impedindo a sua promulgação.

Disputa de narrativas entre Governo e Oposição

O líder do governo acusou a oposição de articular um esvaziamento do Plenário para inviabilizar a análise do projeto antes das urnas. A articulação contaria com a participação direta de nomes como Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, reforçando que a oposição resiste à mudança no modelo de trabalho.

Do outro lado, parlamentares de oposição mantêm críticas aos impactos econômicos da proposta. Na própria aprovação na CCJ, quatro senadores registraram voto contrário ao fim da jornada 6×1: Rogério Marinho, Hamilton Mourão, Tereza Cristina e Jaime Bagattoli.

O que diz a proposta e o que acontece agora

A PEC prevê dois dias de folga semanal remunerada, encerrando a escala de seis dias de trabalho para um de descanso, e reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial e com 14 meses de transição.

Como a comissão já havia aprovado o rito de urgência para dispensa de prazos regimentais, o texto está pronto para ser votado em Plenário. Contudo, o tema permanece em suspenso até o retorno dos senadores a Brasília após o pleito municipal de outubro.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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