Novas regras sanitárias

Sem acordo sobre remédios veterinários, UE exclui Brasil de lista de exportadores de proteína animal

Exigência de rastreabilidade sobre uso de antimicrobianos afeta bovinos, frangos e suínos e ameaça exportações bilionárias do agronegócio

Por Camila Almeida 03/09/2026 às 08:32 2 min de leitura

As exportações de carnes e produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia sofrem um duro golpe a partir desta quinta-feira (3/9). O bloco europeu começou a aplicar novas barreiras sanitárias que proíbem a entrada de itens provenientes de animais tratados com determinados medicamentos antimicrobianos. Sem conseguir comprovar o cumprimento integral das exigências a tempo, o Brasil ficou de fora da lista de países autorizados, correndo o risco de ter seus embarques interrompidos imediatamente.

A medida gera forte apreensão no mercado e coloca em risco cerca de US$ 1,85 bilhão (quase R$ 10 bilhões) em vendas do agronegócio nacional. A exigência abrange carne bovina, suína, aves, ovos, leite, mel e produtos de aquicultura.

O motivo do bloqueio e o impasse dos medicamentos

A preocupação central dos europeus é a resistência antimicrobiana, fenômeno em que bactérias ficam resistentes a remédios, o que levou o bloco a vetar o uso de substâncias promoventes de crescimento na criação animal. O problema é que a legislação brasileira permite o uso de alguns produtos veterinários autorizados internamente, mas que são proibidos no território europeu.

Para voltar a vender ao bloco, o Brasil não precisa apenas mudar o produto final, mas comprovar, por meio de documentação e rastreamento rigoroso, que o animal nunca recebeu os remédios vetados ao longo de toda a sua vida.

Rastreio complexo no boi e saída para o setor

A adaptação é o maior desafio para a pecuária bovina, já que um único boi costuma passar por diferentes fazendas nas etapas de cria, recria e engorda até chegar ao frigorífico. Por outro lado, setores como o de aves e suínos têm ciclos mais curtos e integrados, o que facilita a comprovação exigida pelos compradores internacionais.

Para evitar um prejuízo ainda maior ou a perda de produtividade na pecuária nacional. estimada em até 7% caso os remédios fossem banidos de todo o país, o Ministério da Agricultura e o setor privado trabalham em um sistema de segregação. A ideia é criar uma cadeia de controle privado exclusiva para identificar e certificar apenas os rebanhos destinados ao mercado europeu.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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