setembro amarelo

Igreja católica amplia ações para acolhida e escuta ativa como prevenção e cuidado com a saúde mental

Na Arquidiocese de Cuiabá, iniciativas de escuta pastoral, acompanhamento terapêutico e atendimento especializado são realizadas ao longo de todo o ano

Por Valdemar Félix 03/09/2026 às 22:00 6 min de leitura

Em meio aos desafios da vida cotidiana, muitas pessoas procuram na Igreja Católica não apenas um espaço de oração e espiritualidade, mas também um lugar onde possam ser acolhidas, ouvidas e encontrar apoio diante de momentos de sofrimento, dúvidas e dificuldades. Na Arquidiocese de Cuiabá, esse trabalho é realizado durante todo o ano, por meio de iniciativas de acolhimento pastoral, escuta e parcerias com profissionais da área da saúde.

As ações ganham destaque durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância do cuidado com a saúde mental. A proposta da Igreja é fortalecer uma cultura de acolhimento e atenção às pessoas, reconhecendo que a escuta pode ser um primeiro passo para identificar necessidades e, quando necessário, encaminhar para acompanhamento especializado.

Na Catedral Basílica Senhor Bom Jesus de Cuiabá, a Pastoral da Acolhida iniciou recentemente um serviço de escuta destinado às pessoas que desejam conversar e compartilhar suas angústias em um ambiente de respeito, atenção e sigilo.

Segundo o padre Deusdedit Monge, administrador da Arquidiocese de Cuiabá e responsável pela Catedral, muitas pessoas procuram inicialmente apenas alguém que esteja disposto a ouvi-las.

“Às vezes, as pessoas chegam nos procurando apenas para desabafar. Os agentes são treinados para acolher, encaminhar para profissionais da área da saúde e respeitar todos aqueles que desejam realizar essa partilha”, explica.

A proposta é oferecer uma primeira acolhida, sem substituir o acompanhamento realizado por profissionais especializados. Quando identificada a necessidade, a pessoa pode ser orientada a buscar atendimento adequado.

Na Paróquia São Gonçalo do Porto, a Pastoral da Escuta realiza atendimentos de segunda a quinta-feira e aos sábados, das 14h às 17h. O atendimento é realizado mediante agendamento prévio na secretaria paroquial.

Outra iniciativa está na Paróquia Mãe dos Homens, na região central de Cuiabá. Às quintas-feiras, a comunidade inicia o atendimento de confissões às 15h. No mesmo período, terapeutas e psicólogos estão disponíveis para realizar a triagem e, quando necessário, orientar as pessoas para acompanhamento profissional. Os atendimentos também seguem após a Santa Missa das 19h.

Para o padre Tony Moreira, responsável pelo Setor Juventude de Cuiabá, a necessidade de acolhimento e orientação é especialmente percebida entre os jovens.

“Muitos jovens chegam até nós em busca de orientação e aconselhamento. Nós, padres, recebemos dezenas de jovens com problemas familiares e, muitas vezes, situações que dependem de escuta”, afirma.

Além das pastorais de escuta, a Arquidiocese de Cuiabá conta com iniciativas desenvolvidas em parceria com profissionais da área da saúde, possibilitando o acesso a atendimentos especializados com valores sociais ou acessíveis.

Na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Várzea Grande, na região do Parque do Lago, um grupo de mulheres participa periodicamente de encontros de acompanhamento com uma psicóloga que também é fiel da comunidade. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de ampliar o acesso à terapia e passou a ser realizada em grupo, reunindo mulheres que compartilham desafios semelhantes.

Para viabilizar a continuidade do trabalho, as participantes também promovem ações para arrecadação de recursos, como a venda de pastéis. Além de contribuir para o custeio da terapia, a iniciativa fortalece os vínculos entre as mulheres e cria uma rede de apoio.

O Ambulatório da Paróquia Universitária São José Operário, no bairro Dom Aquino, também disponibiliza atendimento com profissionais especializados na área da saúde mental, mediante agendamento prévio na secretaria paroquial.

Na Paróquia São João Bosco, o trabalho de parceria com profissionais especializados também é desenvolvido há anos. Os atendimentos são oferecidos com taxa social, ampliando a possibilidade de acesso da comunidade ao acompanhamento profissional.

Na Paróquia São Sebastião – Três Barras, padre Elilzo Marques mantém o Ambulatório Social São Rafael. O espaço reúne profissionais da área da saúde e foi ampliado para oferecer atendimento à comunidade.

Inaugurado recentemente, o ambulatório já atende dezenas de pessoas por meio da ação voluntária e colaborativa de profissionais.

As iniciativas desenvolvidas nas paróquias mostram que a preocupação com a saúde e o bem-estar das pessoas pode fazer parte da ação pastoral da Igreja, especialmente quando diferentes profissionais e voluntários se unem para oferecer apoio à comunidade.

A rede de iniciativas busca respeitar as diferentes necessidades de cada pessoa. Enquanto as pastorais de acolhida e escuta oferecem acompanhamento pastoral e um espaço seguro para a partilha, os profissionais da Psicologia e de outras áreas da saúde realizam o atendimento especializado, seguindo os princípios éticos e técnicos de suas profissões.

Para padre Deusdedit, esse cuidado deve considerar todas as dimensões da vida humana.

“O Papa Francisco nos pedia, assim como nos pede o Papa Leão, para cuidar da pessoa de maneira integral, considerando suas dimensões espiritual, emocional, familiar e social. Isso é ser Igreja”, destaca.
O trabalho também contribui para combater o preconceito em torno da busca por ajuda. Procurar alguém para conversar, participar de um grupo de apoio ou buscar acompanhamento profissional pode ser um passo importante diante de situações de sofrimento emocional.

Durante o mês de setembro, a Arquidiocese de Cuiabá reforça o convite para que fiéis e comunidades conheçam, apoiem e fortaleçam as iniciativas de acolhimento, escuta e atendimento desenvolvidas nas paróquias.

A Igreja também incentiva que as pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional ou psicológico procurem ajuda. Em situações de crise ou risco de suicídio, é fundamental buscar imediatamente atendimento profissional e os serviços de emergência disponíveis.

Você não precisa enfrentar um momento de sofrimento sozinho. Falar sobre o que sente e pedir ajuda pode ser o primeiro passo para encontrar apoio.

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