Vasco aprova venda de 90% da SAF, mas negócio ainda depende de órgãos reguladores
Decisão interna reduz fatia do clube associativo a 10%, enquanto Anresf e Cade avaliam potenciais conflitos de interesse na operação

O futebol do Vasco deu um passo decisivo rumo a uma nova era administrativa, mas a troca de comando ainda depende de aval governamental e regulatório fora de campo. Em votação realizada nesta sexta-feira (23/10), os sócios do clube aprovaram a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia.
A aprovação entre os associados concluiu os trâmites internos do clube, que já contavam com a aprovação prévia dos conselhos vascaínos. Com o novo arranjo financeiro, o Vasco associativo preservará apenas 10% de participação na SAF, redução significativa em relação aos 20% mantidos após a negociação com a 777 Partners, em 2022.
Entrave regulatório e análise de conflito de interesses
Apesar da vitória nas urnas em São Januário, o desfecho do negócio enfrenta barreiras institucionais. O principal entrave está na Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão ligado à CBF, que avalia se existe conflito de interesses na transação.
O ponto central da investigação é o vínculo familiar de Marcos Lamacchia, proprietário da Almirante Participações, que é enteado de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras.
Crivo do Cade e exigência de esclarecimentos
Além da análise esportiva, a transação financeira passou para a esfera federal. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu apuração sobre o caso e solicitou esclarecimentos detalhados sobre as condições financeiras do acordo firmado entre o Vasco e a empresa compradora.
Somente após a liberação desses órgãos reguladores é que Lamacchia poderá assumir oficialmente a gestão do departamento de futebol do clube carioca.
*Sob supervisão de Gene Lannes


