Sobrevivente de atropelamento busca indenização de R$ 98 mil

A Justiça de Mato Grosso deu andamento ao processo em que Hya Girotto cobra indenização da bióloga Rafaela Screnci, condenada pelo atropelamento que matou dois jovens e deixou uma terceira vítima gravemente ferida, em dezembro de 2018, em Cuiabá.
Na ação, Hya relata que precisou passar por internações, cirurgias e continua convivendo com sequelas físicas e danos estéticos decorrentes do acidente. Além da reparação pelos prejuízos já sofridos, ela busca ressarcimento de despesas médicas, tratamentos futuros, fisioterapia e acompanhamento psicológico.
A decisão foi assinada pelo juiz Maurício Lopes Prioli, da 2ª Vara Cível de Várzea Grande, que definiu os principais pontos que serão esclarecidos durante a fase de produção de provas.
Também são réus no processo Manoel Randolfo da Costa Ribeiro, proprietário do veículo, e a seguradora Tokio Marine. A empresa foi incluída na ação por meio de denunciação à lide, em razão da apólice de seguro vigente na época do acidente.
Hya, que sobreviveu ao acidente após permanecer em coma e passar por diversas cirurgias, pede R$ 98 mil por danos morais, materiais e estéticos, alegando que ficou com sequelas em decorrência do atropelamento.
Na audiência, a Justiça deverá analisar se Rafaela dirigia sob efeito de álcool e se trafegava acima da velocidade permitida na Avenida Isaac Póvoas, onde ocorreu o acidente. Também será discutida a dinâmica da colisão para verificar se a motorista tinha condições de visualizar os pedestres e evitar o impacto.
Outro ponto que será debatido é a conduta das vítimas. O processo vai apurar se Hya Girotto, Ramon Alcides e Myllena Inocêncio contribuíram para o acidente ao atravessarem a via fora da faixa de pedestres ou se a responsabilidade pelo atropelamento recai exclusivamente sobre a condutora, podendo ainda ser reconhecida culpa concorrente.
O magistrado autorizou o uso de provas produzidas em outros processos relacionados ao caso, incluindo documentos, laudos e depoimentos da ação criminal contra Rafaela e de processos cíveis envolvendo as vítimas.
A audiência de instrução e julgamento foi marcada para 1º de outubro de 2026. Na ocasião, serão ouvidas testemunhas e a autora da ação antes da decisão final sobre o pedido de indenização.
O acidente aconteceu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, em frente à antiga boate Valley Pub, na Avenida Isaac Póvoas, região central de Cuiabá. Myllena Inocêncio morreu no local. Ramon Alcides chegou a ser socorrido e permaneceu internado por cinco dias, mas não resistiu aos ferimentos. Hya Girotto sobreviveu, porém enfrentou um longo período de recuperação e, segundo a ação, ainda convive com as consequências do atropelamento.


