Silval Barbosa oferece imóveis ao STF para quitar dívida de R$ 32,6 milhões
Defesa apresentou duas propostas ao Supremo para quitar o saldo restante da colaboração premiada firmada pelo ex-governador em 2017.

A defesa do ex-governador Silval Barbosa apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) duas propostas para quitar o saldo restante de sua colaboração premiada, firmada em 2017. Atualmente, o valor da dívida é de R$ 32,6 milhões.
A manifestação foi protocolada no dia 14 de agosto de 2026 e apresentada ao ministro Dias Toffoli. O documento é assinado pelo advogado Valber da Silva Melo.
Entre os bens oferecidos está a cobertura onde Silval reside, no Edifício Riviera D’América, no Jardim das Américas, em Cuiabá, avaliada em R$ 8 milhões.
Ao todo, o ex-governador se comprometeu a devolver pouco mais de R$ 70 milhões aos cofres de Mato Grosso. Desse valor, R$ 46,8 milhões foram quitados por meio da dação de imóveis.
O saldo de R$ 23,4 milhões deveria ter sido pago em dinheiro, dividido em cinco parcelas de aproximadamente R$ 4,7 milhões, entre março de 2018 e 2022. Como os pagamentos não foram realizados, o valor foi atualizado para R$ 32,6 milhões.
Na primeira proposta, a defesa oferece a quitação da dívida sem atualização monetária. Para isso, propõe a entrega de um imóvel rural avaliado em R$ 8,725 milhões, além do perdimento da cobertura avaliada em R$ 8 milhões e da compensação de R$ 4,5 milhões já pagos na esfera cível.
O saldo restante seria pago em três parcelas semestrais de aproximadamente R$ 745,8 mil.
Na segunda proposta, Silval se dispõe a arcar com metade da atualização monetária do débito por meio da entrega de um único imóvel rural, avaliado em R$ 22,995 milhões. A proposta também prevê a compensação de valores já pagos no âmbito do acordo de colaboração e o pagamento de R$ 347,2 mil em parcela única.
O pedido ainda aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e posterior decisão do STF.
A colaboração premiada
Na colaboração, Silval Barbosa relatou crimes que teriam ocorrido durante sua gestão e também fatos relacionados à administração do ex-governador Blairo Maggi. Entre os episódios relatados estão pagamentos de “mensalinho” a deputados estaduais em troca de apoio político.
Silval foi condenado a mais de 25 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro.
Após cumprir parte da pena em regime fechado e domiciliar, ele obteve progressão para o regime semiaberto em maio de 2020.
Em maio deste ano, a PGR se manifestou contra o pedido do ex-governador para parcelar o saldo restante do acordo de colaboração premiada.
Em manifestação assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, a PGR pediu ao STF que Silval seja intimado a quitar integralmente o débito de R$ 32,6 milhões.


