Trikafta no SUS

Remédio de alto custo no SUS reduz em quase 85% as internações por fibrose cística

Avaliação com mais de 600 pacientes em todo o Brasil mostra salto na qualidade de vida e queda drástica em infecções e hospitalizações

Por Camila Almeida 06/08/2026 às 17:30 2 min de leitura

Uma revolução silenciosa no tratamento da fibrose cística pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está salvando vidas e tirando pacientes dos leitos de hospital. Quase dois anos após ser incorporado à rede pública, o medicamento Trikafta apresentou uma eficácia impressionante ao reduzir em 84,8% as internações hospitalares entre as pessoas atendidas no Brasil.

O levantamento, divulgado pelo Ministério da Saúde em Brasília, acompanhou 647 pacientes ao longo de um ano em 39 centros de referência. A medicação de ponta, que na rede privada pode custar até R$ 2,5 milhões por ano, mudou radicalmente a rotina de quem convive com a condição.

O impacto direto na rotina dos pacientes

Além de evitar a ida aos hospitais, a terapia tripla (elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor) trouxe ganhos respiratórios e nutricionais imediatos:

  • Menos oxigênio em casa: Queda de 91,6% na necessidade de uso de oxigenioterapia domiciliar.
  • Queda nos antibióticos: Redução de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos para conter crises.
  • Melhora pulmonar: Aumento médio de 10 a 14 pontos na capacidade de respiração dos pulmões.
  • Mais nutrição: Redução dos ciclos frequentes de infecção e melhora direta no ganho de peso.

O que é a fibrose cística e como funciona o remédio

A fibrose cística é uma doença genética rara que faz o organismo produzir um muco excessivamente espesso. Essa substância acumula nos pulmões e no sistema digestivo, provocando infecções graves, tosse crônica e dificuldade para absorver nutrientes dos alimentos.

O Trikafta atua diretamente na causa da doença para impedir o acúmulo desse muco. O remédio é administrado por via oral, em casa, e pode ser retirado gratuitamente em farmácias de alto custo do SUS mediante receita emitida por um médico especialista. Atualmente, mais de 2,4 mil brasileiros recebem a medicação pelo governo.

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