Articulação política

Relatório do Gaeco aponta reuniões de Wanderley com vereadores na casa da mãe

Gravações analisadas pelo Gaeco registram articulações antes da eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande; investigação apura suspeitas de compra de votos e pressão política

Por Matheus Marques 23/10/2026 às 09:15 3 min de leitura

Segundo o Relatório Técnico nº 167/2026 do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), relatou ter reunido 15 vereadores na casa de sua mãe para tratar de articulações políticas antes da eleição da Mesa Diretora do Legislativo.

De acordo com o documento, uma gravação de 9 de abril de 2026 registra Wanderley comentando o encontro e afirmando que os parlamentares estavam alinhados ao seu projeto político.

“Não sei, eu tava com 15 hoje reunidos, 15 almoçou comigo lá na minha mãe”, diz o presidente da Câmara no áudio reproduzido no relatório.

Na sequência, conforme a transcrição apresentada pelo Gaeco, Wanderley menciona o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), adversário na disputa pela presidência, e faz referências aos parlamentares Caio Cordeiro e Rogerinho Dakar.

“Mas fica tranquilo, tá sob controle, tá tudo sob controle. Os caras tá tudo 100% comigo, ninguém quer nada do Lucas. Lucas tá oferecendo o céu aí, mas ninguém quer”, afirma na gravação.

Encontros anteriores

O relatório também reúne registros de reuniões anteriores na mesma residência. Mensagens de outubro de 2024 mostram Wanderley combinando encontros com o vereador Caio Cordeiro.

Em outro áudio, de 9 de dezembro daquele ano, o presidente da Câmara informa aos participantes que o ex-vice-prefeito Tião da Zaeli estava a caminho do imóvel.

“Pessoal, o Tião tá vindo aqui na reunião, ele pediu pra quem quiser voltar aqui, ó. Ele tá voltando aqui agora, aqui na minha mãe. Quem quiser voltar, não tiver longe, volta aqui, ele tá vindo aqui, vamos ouvir ele”, diz o parlamentar, segundo a transcrição reunida na investigação.

Três dias depois, em 12 de dezembro, Wanderley teria encaminhado outro convite para um almoço no local, conforme os registros mencionados no documento.

Denúncia de oferta de R$ 100 mil

O relatório também reúne o depoimento do vereador Caio Cordeiro aos investigadores. Segundo o relato, ele afirmou ter recebido de Wanderley uma proposta de R$ 100 mil para votar pela reeleição do presidente da Câmara e disse ter recusado a oferta.

De acordo com o depoimento descrito na investigação, o dinheiro estaria em uma sacola no escritório localizado no imóvel.

As informações integram os elementos reunidos pelo Gaeco para apurar suspeitas de negociação de votos e possíveis irregularidades nas articulações políticas. Os relatos e as gravações, isoladamente, não representam comprovação definitiva de que tenha ocorrido pagamento ilegal.

Investigação

O material faz parte da investigação que levou à deflagração da Operação Cathedra Venalis, em 20 de outubro, que apura suspeitas de corrupção, compra de votos e pressão política relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

Wanderley foi eleito presidente em 14 de maio de 2026, por 12 votos a 11, em disputa contra Lucas do Chapéu do Sol. Posteriormente, a eleição foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da antecipação da votação.

A investigação busca esclarecer se houve oferta de vantagens indevidas ou utilização de mecanismos de pressão para assegurar apoio político ao grupo ligado à presidência da Câmara.

As informações sobre as reuniões, os áudios e a denúncia de oferta de dinheiro são atribuídas ao Relatório Técnico nº 167/2026 do Gaeco e aos depoimentos nele reunidos.

Leia Também

Deixe seu comentário