Cerco ao crime

Polícia Civil de MT captura chefões de facções escondidos fora do estado e no exterior

Ações estratégicas da Polinter e da Draco alcançam alvos de alta periculosidade na Bolívia, no Paraguai e no Rio de Janeiro

Por Camila Almeida 24/10/2026 às 11:30 3 min de leitura

Criminosos que usavam condomínios de luxo no exterior, praias cariocas ou esconderijos em outros estados para comandar ações ilícitas e fugir da Justiça estão sendo desarticulados em uma sequência de operações de inteligência da Polícia Civil do Estado.

O trabalho das equipes da Polinter (Gerência Estadual de Polinter) e da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) resultou na captura de lideranças de facções, operadores financeiros e foragidos históricos de alta periculosidade.

Rota internacional: Prisões na Bolívia e no Paraguai

A fronteira com países vizinhos deixou de ser um porto seguro para os foragidos de Mato Grosso. Apenas entre junho e outubro, cooperação policial com a Interpol e forças de inteligência locais garantiram a prisão de seis chefes criminosos no exterior.

Entre os casos de maior repercussão estão:

  • Angeliquinha (Angelica Saraiva de Sá): Apontada como uma das principais líderes de facção do estado, foi localizada em uma casa em condomínio de luxo em Santa Cruz, na Bolívia, e recambiada para o Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
  • João Batista Vieira dos Santos: Preso em Mariano de Luque, no Paraguai, em ação conjunta com a inteligência paraguaia.
  • Médico André Barbosa de Souza: Investigado por elo com o crime organizado, foi detido em San Matias, na Bolívia.
  • Willian Guilherme e Pedro Henrique Lima: Ambos capturados em cidades bolivianas. No endereço de Pedro Henrique, em San Ignacio Velasco, outros cinco brasileiros acabaram presos em flagrante.

Rio de Janeiro: O refúgio preferido dos operadores

O litoral carioca e regiões metropolitanas do Rio de Janeiro tornaram-se alvos frequentes das operações mato-grossenses. Investigados atuavam como mandantes de homicídios e gestores do caixa de facções à distância.

Confira algumas das capturas na capital fluminense:

  • Em shoppings e hotéis: Priscila Moreira Janis (liderança violenta de Sorriso) e Ingride Fontinelles foram presas em um shopping. Bruno Ojeda foi localizado em Copacabana ao voltar da praia, junto a dois comparças.
  • Bairros nobres e praias: Acácio Costa Ribeiro (“Panela”) acabou preso na Barra da Tijuca; Ederson Xavier (“Boré”) foi localizado na Praia de Piratininga, em Niterói; e Guilherme Moura da Silva foi pego enquanto treinava em uma academia em Inhaúma.
  • Operações recentes (2026): Foram presos Renato Barbosa (“Pezão”), Adão Alves da Silva Neto (operador financeiro ligado a “Vovozona”) e Erival Vitorino Machado (“Demenor”), capturado no Complexo do Salgueiro em ação que apreendeu três fuzis.

Capturas de alvos históricos dentro de Mato Grosso

A atuação policial também resultou na localização de criminosos procurados há décadas ou vindos de outras regiões para se esconder em Mato Grosso:

  • Fuga de 42 anos: Em Cuiabá, a polícia prendeu Aluízio Faria Batista, foragido desde 1984 do Rio Grande do Norte pelo acidente conhecido como “Tragédia do Baldo”, que matou 19 pessoas no Carnaval.
  • Esconderijo em Chapada dos Guimarães: Antônio Brasileiro da Silva Neto, nome forte de uma facção do Ceará, foi localizado em uma casa de alto padrão na cidade mato-grossense.
  • Crimes graves: Em Vila Rica, equipes prenderam Semi Alves da Silva, condenado a 17 anos por estupro de vulnerável contra uma criança de 10 anos.

*Sob supervisão de Gene Lannes

Leia Também

Deixe seu comentário