Apostas Ilegais

Polícia bloqueia R$ 102 milhões em operação contra apostas ilegais em MT

Operação Aposta Final cumpre 19 ordens judiciais contra influenciadora de Várzea Grande e marido, investigados por jogos de azar e lavagem de dinheiro.

Por Matheus Marques 14/10/2026 às 08:17 4 min de leitura

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a Operação Aposta Final, com o cumprimento de 19 ordens judiciais contra uma influenciadora digital de Várzea Grande e o marido dela. O casal é investigado por suspeita de exploração e divulgação de jogos de azar sem autorização legal e lavagem de dinheiro.

Entre as medidas determinadas pela Justiça estão três mandados de busca e apreensão domiciliar, buscas em quatro veículos e o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 102,4 milhões em contas dos investigados.

A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), com autorização do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, em Cuiabá.

Também foram determinadas a suspensão das atividades econômicas e financeiras de duas empresas, a quebra de sigilo de dados telemáticos, a exclusão de perfis em redes sociais e o bloqueio de um site utilizado para divulgar apostas.

Movimentação milionária

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após uma denúncia recebida em agosto de 2026, que apontava possível ligação entre a divulgação de plataformas de jogos on-line, uma facção criminosa e práticas de lavagem de dinheiro.

Durante as apurações, os investigadores identificaram publicações da influenciadora com links que direcionavam seguidores para uma plataforma de apostas. Os pagamentos realizados por Pix eram destinados a duas empresas que, conforme a investigação, não constavam na lista oficial de autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operar apostas de quota fixa.

Uma das empresas investigadas movimentou mais de R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026, considerando os valores recebidos e transferidos no período. A movimentação financeira apresentou características consideradas suspeitas, incluindo recebimentos e repasses sucessivos relacionados a jogos e apostas on-line.

A análise também apontou indícios de que as empresas eram utilizadas para receber recursos provenientes das apostas. Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou medidas para interromper as atividades suspeitas e preservar possíveis valores vinculados aos crimes investigados.

Veículos e patrimônio

As investigações também identificaram patrimônio considerado incompatível com os rendimentos lícitos declarados pelos envolvidos. Entre os elementos analisados estão veículos de alto valor, um imóvel residencial e despesas com viagens internacionais.

Além do bloqueio financeiro, a Justiça autorizou a apreensão de duas caminhonetes Toyota Hilux, uma Volkswagen Saveiro e um Volkswagen Nivus GTS.

Os mandados também abrangem estabelecimentos comerciais ligados aos investigados, incluindo um salão de beleza e um açougue, em Várzea Grande e Cuiabá. A polícia busca documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do esquema.

Proibição de divulgar apostas

Para impedir a continuidade das atividades investigadas, a Justiça determinou a suspensão cautelar das atividades econômicas e financeiras das duas empresas. Também foi proibido que a influenciadora investigada crie, acesse ou utilize redes sociais e plataformas digitais para divulgar ou promover jogos, apostas ou atividades relacionadas.

As investigações continuam para identificar os responsáveis pela operação da plataforma, rastrear os recursos movimentados e apurar a possível participação de outras pessoas.

O nome Aposta Final faz referência ao objetivo de interromper a atuação investigada, bloquear o fluxo financeiro suspeito e responsabilizar os envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas.

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