Pescadores relatam dificuldades durante ação do Repesca em Rondonópolis
Atendimento presencial auxiliou trabalhadores da pesca artesanal no cadastramento do programa estadual de apoio social e financeiro.

A rotina de quem vive da pesca artesanal começa cedo e exige resistência diante das dificuldades enfrentadas diariamente nos rios de Mato Grosso. Em Rondonópolis, pescadores profissionais compartilharam histórias de trabalho e desafios durante a ação de cadastramento presencial do programa Repesca, promovida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania de Mato Grosso.
O atendimento ocorreu nos dias 17 e 18 de junho, no Ganha Tempo do município, com o objetivo de auxiliar pescadores na realização de novos cadastros e atualização de informações para acesso ao programa.
A ação já passou por Poconé e Santo Antônio de Leverger e seguirá para Cáceres nos dias 22 e 23 de junho.
Morador de Rondonópolis, Laércio Dias afirmou que o atendimento presencial facilitou o processo de cadastramento.
“Ficou muito melhor fazer o cadastro aqui com a ajuda da equipe. Sozinho é difícil, porque a gente nem sempre tem conhecimento para fazer tudo pela internet. Esse auxílio vai ajudar muito. Nós sofremos bastante com as dificuldades da pesca e com as mudanças que aconteceram nos últimos anos. Qualquer ajuda faz diferença dentro de casa”, declarou.
A pescadora Lucinete Ferreira Batista contou que cresceu convivendo com a pesca na comunidade Vila Nova, próxima a Juscimeira, e transformou a atividade em complemento essencial da renda familiar.
Segundo ela, durante muitos anos enfrentou longas jornadas pelos rios da região para garantir o sustento da família.
“Eu subia o rio de canoa e ficava dias pescando para conseguir um dinheirinho. Era assim que eu ajudava a comprar alimento, pagar energia e manter a casa. Minha renda era muito baixa e a pesca sempre ajudou a complementar”, relembrou.
Atualmente vivendo sozinha, Lucinete afirmou que o programa representa um apoio importante para o orçamento.
“Vai ajudar bastante. Hoje eu moro sozinha e tenho pouca renda. Tudo que vier para ajudar faz diferença. A pesca sempre foi minha vida e continua sendo minha forma de sobreviver”, disse.
A pescadora Vanusa de Oliveira também relatou as dificuldades enfrentadas pela categoria. Há mais de 15 anos na atividade, ela afirmou que a pesca artesanal ficou mais difícil nos últimos anos.
“No começo era mais fácil. A gente conseguia pescar mais e tirar o sustento da família. Hoje está mais difícil, mas continuamos lutando porque é da pesca que vivemos. Eu e meu marido dependemos disso para sobreviver”, afirmou.
Mãe de cinco filhos, Vanusa contou que a família foi criada com os recursos obtidos por meio da pesca e que o auxílio chega em momento importante.
“Minhas contas estão atrasadas e os bicos nem sempre aparecem. Muitas vezes passo o dia inteiro no rio para conseguir um peixe e garantir comida dentro de casa. Esse auxílio chega em uma hora importante e vai ajudar muito a nossa família”, relatou.
O Repesca é destinado a pescadores profissionais artesanais que exercem a atividade de forma autônoma, individualmente ou em regime de economia familiar, sem vínculo empregatício e que tenham a pesca como principal meio de subsistência.
Segundo o Governo de Mato Grosso, a iniciativa busca garantir proteção social e apoio financeiro aos trabalhadores impactados pelas mudanças na atividade pesqueira.
Para os pescadores atendidos em Rondonópolis, o programa também representa reconhecimento à atividade que há gerações sustenta milhares de famílias mato-grossenses.


