PEC da maioridade penal ganha ritmo na Câmara e colegiado terá até 40 sessões para votar parecer
Colegiado elegeu mesa diretora e indicou relator para debater alterações na Constituição sobre a punição de jovens que cometerem crimes

O debate sobre a redução da idade mínima para punição criminal no Brasil deu mais um passo decisivo no Congresso. A Câmara dos Deputados instalou a Comissão Especial encarregada de analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que diminui a maioridade penal no país de 18 para 16 anos, definindo a cúpula que vai comandar os trabalhos do colegiado.
A medida reacende a discussão nacional sobre o rigor das leis para jovens infratores e a capacidade do sistema prisional brasileiro.
Como funcionam a liderança e os prazos na comissão
Com o grupo de trabalho montado, a análise da PEC segue regras e etapas específicas no Legislativo. O deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA) assumiu a presidência com 19 votos favoráveis. A mesa também inclui os deputados Guilherme Derrite (1º vice), Benes Leocádio (2º vice) e Sargento Fahur (3º vice).
A responsabilidade de elaborar o parecer do projeto ficou com o deputado Mendonça Filho (União-PE). O colegiado terá entre 10 e 40 sessões do Plenário da Câmara para votar o texto do relator.
Próximos passos e o que é necessário para virar lei
Por se tratar de uma mudança na Constituição Federal, a proposta precisa passar por uma longa esteira de votações antes de entrar em vigor:
- Votação no Plenário da Câmara: Caso seja aprovada na Comissão Especial, a PEC vai ao Plenário principal da Câmara, exigindo aval de três quintos dos deputados (308 votos) em dois turnos.
- Análise no Senado: Se passar pela Câmara, o texto segue para o Senado Federal, onde também precisará de aprovação por três quintos dos senadores (49 votos), em duas etapas.
Os dois lados do impasse no Congresso
A proposta divide opiniões dentro e fora do Parlamento. Os parlamentares a favor alegam que as punições atuais previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente são brandas para crimes graves.
Já entidades de direitos humanos e organizações sociais sustentam que a medida só aumentará o superlotamento dos presídios, sem efeito prático na redução da violência urbana.
*Sob supervisão de Gene Lannes


