Recebimento

Brasbio, ligada a Pivetta, recebeu aportes de empresas citadas na Operação Heritage

Segundo documentos obtidos pelo PNB Online, o Green Lake Fundo de Investimentos em Participações investiu aproximadamente R$ 10,9 milhões na Brasbio

Por Eder Pereira 12/08/2026 às 21:00 3 min de leitura

A Brasbio – Brasil Bioenergia S.A., empresa ligada ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, recebeu ao menos R$ 16,4 milhões em aportes de empresas e de um fundo de investimentos que aparecem relacionados à Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto.

Segundo documentos obtidos pelo PNB Online, o Green Lake Fundo de Investimentos em Participações investiu aproximadamente R$ 10,9 milhões na Brasbio. O fundo é apontado nas investigações da PF como parte de uma estrutura utilizada para movimentar recursos que teriam origem em um esquema envolvendo cerca de R$ 308 milhões.

Além do Green Lake, a Vyas Energia Participações S.A. aportou R$ 1,8 milhão, enquanto a H4 Holding Ltda. investiu cerca de R$ 3,7 milhões. As duas empresas são apontadas pela reportagem como ligadas ao ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, que deixou o cargo após ser alvo da Operação Heritage.

Ao longo dos últimos anos, a Brasbio também passou por forte aumento de capital. Criada em 2023 com capital social de R$ 1 mil, a empresa alcançou aproximadamente R$ 370 milhões em capital em julho de 2026. A companhia está construindo uma usina em Uruçuí, no Piauí, empreendimento cujo investimento total deve superar R$ 1 bilhão.

A participação do Green Lake ocorreu em período anterior à obtenção de financiamentos de grande porte. Em março de 2025, quando detinha cerca de 10% da Brasbio, o fundo participou de uma assembleia que aprovou a contratação de financiamentos que poderiam chegar a R$ 1 bilhão junto ao Banco do Nordeste, ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste e ao BNDES.

A empresa também obteve um financiamento de R$ 150 milhões e buscava uma linha de crédito de até R$ 850 milhões junto ao FNE, administrado pelo Banco do Nordeste.

Apesar das relações societárias apresentadas pela reportagem, não há, na nota divulgada pela empresa, reconhecimento de qualquer vínculo da Brasbio ou de seus administradores com o suposto esquema investigado pela Polícia Federal.

Em resposta, o Governo de Mato Grosso afirmou que Pivetta não é investigado nem acusado de participação no caso. A Brasbio também negou qualquer relação com a Operação Heritage e declarou que todos os aportes foram realizados de forma regular, registrados e submetidos a procedimentos de conformidade.

A empresa sustentou ainda que seus recursos são provenientes exclusivamente de seus acionistas e que não houve aporte sem análise prévia das instituições envolvidas. Segundo a nota, profissionais mencionados na reportagem atuam como representantes legais dos sócios, e não como sócios ou gestores da Brasbio.

Até o momento, a existência de aportes ou relações societárias, por si só, não comprova que os recursos tenham origem ilícita ou que a Brasbio tenha participado de qualquer irregularidade. Eventuais responsabilidades dependerão da apuração das autoridades competentes e de provas produzidas no curso das investigações.

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