Opinião

O futuro de Mato Grosso passa pelas florestas plantadas

Por Valdemar Félix 24/09/2026 às 08:21 3 min de leitura

Ao longo deste mês de setembro, a Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) apresentou os pleitos estratégicos do setor florestal às três principais coligações que disputam o governo estadual. Nosso objetivo com essa iniciativa foi inserir o tema no centro do debate público e das políticas de estado para as próximas décadas.

Acreditamos que os desafios que apresentamos não se limitam apenas à silvicultura, pois seus impactos se estendem por toda a economia do estado. Um dos nossos principais produtos, a biomassa de eucalipto reflorestado, é um insumo crucial para a agroindustrialização sustentável de Mato Grosso. Somos fornecedores de soluções climáticas essenciais, o que torna a Arefloresta uma voz importante quando o objetivo é pensar o futuro ambiental e econômico do Estado.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 253 mil hectares de florestas plantadas. Contudo, para alcançarmos a meta estadual de 700 mil hectares até 2040 e fazermos a transição para uma base industrial diversificada, precisamos superar desafios estruturais. Por isso, apresentamos aos candidatos demandas focadas na criação de mecanismos de crédito e investimento, na desburocratização da gestão ambiental e na implantação de um programa estadual de industrialização da madeira.

O primeiro ponto trata da criação de um Fundo Garantidor de Crédito e de um Fundo Estadual de Investimento Florestal. O ciclo produtivo das florestas é longo, variando de 7 a 20 anos, um prazo que não acompanha as linhas de crédito tradicionais do agronegócio. Esses novos instrumentos são essenciais para estruturar garantias e atrair o capital paciente, alavancando recursos de fundos públicos e bancos privados para viabilizar a expansão dos nossos cultivos.

O segundo ponto refere-se à modernização estrutural da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O setor demanda fluxos administrativos mais ágeis e padronizados. Propusemos a adoção de Termos de Referência simplificados e específicos para florestas plantadas, a realização de vistorias tecnológicas remotas e o estabelecimento de prazos-limite curtos para a análise e a emissão de licenças da silvicultura comercial.

O terceiro eixo fundamental é a agregação de valor. Mato Grosso é o maior produtor de teca do País, mas cerca de 40% das nossas exportações dessa madeira ainda saem em estado bruto. Precisamos de um programa estadual de incentivo com benefícios fiscais escalonados para atrair indústrias de processamento e beneficiamento. Isso preparará o estado para receber novas cadeias industriais complexas, como as de celulose, papel e madeira processada, multiplicando a geração de empregos.

O mundo busca hoje consolidar uma economia descarbonizada, e nós temos uma resposta prática para esse desafio. O fortalecimento do setor de florestas plantadas garante segurança energética, atrai investimentos e reduz frontalmente a pressão sobre as florestas nativas. A Arefloresta continuará buscando o diálogo com todos os atores políticos, seja na capital ou no interior, para que nossas propostas se transformem em uma política contínua e pujante para Mato Grosso.

Fausto Takizawa é engenheiro florestal há 31 anos e atualmente preside a Arefloresta.

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