Lula atribui reeleição à derrota da mentira e defende regulação das redes sociais
Lula da Silva (PT) afirmou que o resultado das urnas representa uma derrota do negacionismo e da desinformação.

No primeiro discurso após ser reeleito presidente da República, neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o resultado das urnas representa uma derrota do negacionismo e da desinformação. O presidente também defendeu a regulação das plataformas digitais, criticou a influência de empresas estrangeiras no processo eleitoral e agradeceu à juventude pela mobilização durante a campanha.
“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira”, declarou Lula, ao comentar a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Ao lado da esposa, Janja, e de aliados políticos, o presidente dividiu inicialmente o momento com o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, a quem atribuiu participação importante no resultado eleitoral. Alckmin agradeceu à população, destacou a atuação das mulheres e dos jovens e afirmou que Lula teria contribuído novamente para a preservação da democracia brasileira.
Em seguida, Lula agradeceu a lealdade do vice e reconheceu o apoio dos partidos que integraram a campanha. O presidente também destacou o comparecimento dos eleitores, especialmente dos jovens que participaram de manifestações e atos políticos em diferentes regiões do país.
Segundo Lula, a mobilização popular foi decisiva para convencer os brasileiros da importância do voto e da defesa das instituições democráticas. Ele também ressaltou a participação de eleitores que enfrentaram dificuldades para comparecer às urnas.
Regulação das plataformas digitais
Um dos principais pontos do discurso foi a defesa de regras para as empresas de tecnologia e redes sociais. Lula afirmou que o país precisa enfrentar o que classificou como interferência externa por meio das plataformas digitais.
“Nós vamos ter que regulá-las”, declarou o presidente, ao criticar empresas que, segundo ele, movimentam grandes volumes financeiros, deixam de pagar impostos e tentam influenciar os resultados eleitorais.
A declaração retoma o debate sobre a responsabilidade das plataformas na circulação de informações, a atuação das empresas digitais durante campanhas e os limites da influência sobre o eleitorado. Lula defendeu que o tema seja enfrentado pelo país, sem detalhar, naquele momento, quais medidas pretende adotar no novo mandato.
Críticas ao adversário
Durante o pronunciamento, Lula também fez críticas diretas a Flávio Bolsonaro. O presidente classificou o adversário como um representante do milicianismo no país e o acusou de mentir durante a disputa eleitoral.
Lula ainda relatou emoção com a participação popular nos atos realizados durante a campanha. Entre os momentos mencionados, destacou a manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24), véspera da votação.
Segundo o presidente, um dos episódios que mais o marcaram foi quando a multidão cantou o trecho “ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil”, do Hino da Independência.
O discurso marcou a primeira manifestação pública de Lula após a confirmação da reeleição e reuniu agradecimentos aos apoiadores, defesa da democracia e sinalizações sobre temas que pretende colocar em discussão no próximo governo.


