transformações do mercado

Indústria de Mato Grosso cresce e amplia demanda por profissionais qualificados

Mato Grosso precisará qualificar 210 mil profissionais para o mercado de trabalho, de acordo com levantamento da CNI

Por Valdemar Félix 26/08/2026 às 18:30 5 min de leitura

A indústria de Mato Grosso está em expansão e o crescimento do setor impacta na necessidade de profissionais preparados para acompanhar as transformações do mercado. Entre 2026 e 2027, o estado deverá qualificar 210 mil profissionais, segundo o Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Observatório Nacional da Ind6stria (ONI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total projetado, 31 mil são novos profissionais, enquanto 179 mil trabalhadores que já estão no mercado precisarão atualizar suas competências.

A projeção ganha novo contexto diante dos dados mais recentes do Anuário da Indústria de Mato Grosso, produzido pelo Observatório da Indústria de Mato Grosso do Sistema Fiemt. A publicação mostra que a indústria responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e reúne atualmente 203,5 mil trabalhadores formais em Mato Grosso, reforçando a relevância do setor para a economia e para o mercado de trabalho do estado.

No mês de junho, a indústria mato-grossense registrou uma alta de 1,6% no volume de produção e superou o mês de maio, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e analisados pelo Observatório. O número também representa um crescimento acima da média nacional, que obteve queda de 1,8% no mesmo período.

Para a diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai MT), Fernanda Campos, o cenário reforça a importância de preparar os trabalhadores para acompanhar o desenvolvimento econômico do estado.

“Mato Grosso está passando por um processo importante de crescimento e transformação da sua indústria, e esse movimento precisa ser acompanhado pela formação de profissionais. Investir em qualificação é preparar as pessoas para novas oportunidades, mas também dar às empresas condições de encontrar trabalhadores com as competências necessárias para crescer e aumentar sua produtividade. O Senai Mato Grosso tem o compromisso de contribuir para que o desenvolvimento do estado aconteça também por meio da formação e da valorização das pessoas”, afirma.

Demanda acompanha diferentes setores

O Mapa do Trabalho Industrial aponta que a necessidade de qualificação está distribuída por diferentes áreas da economia. Entre as que concentram as maiores demandas projetadas para o período estão: Logística e Transporte, com 57 mil profissionais; Agropecuária, com 24 mil; Construção, com 21 mil; Manutenção e Reparação, com 20 mil; e Alimentos e Bebidas, com 18 mil.

Os dados dialogam com o perfil da indústria mato-grossense apresentado pelo Anuário. A indústria de transformação representa 57% da atividade industrial do estado, enquanto a construção responde por 26%. A publicação também mostra que a região intermediária de Cuiabá concentra 42% do emprego industrial estadual.

Na avaliação da gerente de Desenvolvimento Industrial do Sistema Fiemt, Vanessa Gasch, os números mostram que o crescimento da indústria precisa ser acompanhado pela disponibilidade de profissionais preparados para as novas demandas.

“Os dados mostram que Mato Grosso tem uma indústria que cresce, amplia sua participação na economia e, ao mesmo tempo, se torna mais diversificada. Quando olhamos para a projeção de qualificação e para o perfil atual do setor, fica evidente que o desenvolvimento industrial passa também pela capacidade de formar e atualizar profissionais. Em um cenário de escassez de mão de obra, profissionais qualificados, com capacidade de aumentar a produtividade das indústrias, sustentam a expansão das empresas e ajudam o estado a transformar seu potencial produtivo em desenvolvimento econômico”, explica.

Atualização de competências

Dos 210 mil profissionais apontados pelo Mapa do Trabalho Industrial, a maior parte da demanda está relacionada à atualização de competências de trabalhadores que já estão empregados. São 179 mil pessoas que precisarão de treinamento e desenvolvimento para acompanhar as transformações das funções que desempenham.

O levantamento considera a necessidade de formação de novos profissionais e de atualização daqueles que já estão no mercado, levando em conta as mudanças nas ocupações e as demandas projetadas para os próximos anos.

Para a gerente de Educação Profissional e Superior do Senai MT, Paullyanne Araújo, o cenário exige uma educação profissional conectada às transformações tecnológicas e às necessidades das empresas.

“A educação profissional precisa acompanhar a velocidade com que as ocupações se transformam. Hoje, não basta apenas preparar o trabalhador para executar uma determinada atividade; é necessário desenvolver competências que permitam a ele lidar com novas tecnologias, equipamentos, processos e diferentes ambientes de trabalho. Por isso, a formação profissional precisa estar permanentemente conectada às demandas do setor produtivo e também oferecer possibilidades de atualização para quem já está no mercado”, explica.

O Mapa do Trabalho Industrial é utilizado como ferramenta de planejamento da oferta de formação profissional do Senai. A metodologia considera projeções de emprego formal, a necessidade de reposição de trabalhadores e a demanda por atualização dos profissionais já empregados.

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