Indústria brasileira completa 22 meses no vermelho, mas vê “luz no fim do túnel” para o próximo semestre
Índice de Confiança avança para 46,2 pontos puxado por expectativas futuras, mas continua abaixo do patamar de otimismo pelo 22º mês seguido

Quem produz e fabrica no Brasil continua enfrentando um cenário de custos elevados e vendas em queda, mas já começa a enxergar um alívio mais adiante. A pesquisa do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgada nesta quarta-feira (14/10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que a confiança do setor subiu 1,3 ponto em outubro, alcançando 46,2 pontos.
Apesar da reação, a indústria acumula 22 meses consecutivos de falta de confiança, já que qualquer pontuação abaixo dos 50 pontos indica pessimismo entre os produtores.
Futuro traz esperança, mas o presente ainda assusta
O comportamento do empresariado mostra uma nítida divisão entre as dificuldades do dia a dia e o planejamento para os próximos seis meses:
- Expectativas para o futuro (Subiu): o indicador que mede os próximos 180 dias subiu 2,1 pontos, atingindo 49,3 pontos, encostando na margem do otimismo e sinalizando que o setor prevê uma recuperação adiante.
- Avaliação do momento atual (Caiu): em sentido oposto, o índice que mede o presente caiu para 40 pontos, atingindo o pior nível desde julho de 2020, auge dos impactos da pandemia de covid-19 no país.
O que está pesando no bolso dos fabricantes?
Segundo a CNI, a combinação entre margens de lucro apertadas e instabilidade de mercado explica por que o empresário sente o ambiente de negócios tão desfavorável no momento:
- Baixa procura por produtos: retração do consumo por parte do mercado e das famílias.
- Alta nos custos de produção: insumos e matérias-primas mais caros pressionando o caixa das fábricas.
- Cenário internacional incerto: dúvidas sobre o comércio global e juros.
O levantamento foi realizado entre 1º e 7 de outubro ouviu 1.103 indústrias de todos os portes no Brasil (sendo 456 pequenas, 414 médias e 233 de grande porte).
O diagnóstico aponta que, embora as indústrias ainda operem em ritmo de cautela no curto prazo, a melhora na percepção para os próximos seis meses sugere que o setor pode estar próximo de encerrar o longo ciclo de retração nas fábricas brasileiras.
*Sob supervisão de Gene Lannes


