Gaeco apura suposto plano para cassar prefeita e assumir controle do DAE e do transporte em VG
A apuração começou após uma notícia-fato relatar que Wanderley Cerqueira teria reunido mais de dez aliados em uma chácara na região do Distrito da Guia, em Cuiabá

A Operação Cathedra Venalis investiga uma suposta articulação política liderada pelo vereador Wanderley Cerqueira (MDB), atual presidente da Câmara de Várzea Grande, para manter o comando do Legislativo e ampliar a influência do grupo sobre a administração municipal. Segundo a decisão judicial que fundamentou a operação, o plano envolveria pressão para tentar cassar a prefeita Flávia Moretti (PL) e interferir na gestão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e do transporte coletivo.
Na terça-feira (20), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) cumpriu mandados de busca e apreensão contra 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, além de servidores ligados à Câmara Municipal. As diligências buscam aprofundar a apuração sobre suspeitas de corrupção, cooptação de agentes públicos e obtenção de vantagens indevidas.
Conforme a decisão, o grupo pretendia formar uma maioria parlamentar para exercer pressão institucional sobre a prefeita e garantir influência político-administrativa sobre setores estratégicos do município, especialmente o DAE-VG e o sistema de transporte coletivo operado pela União Transportes.
A investigação também aponta suspeitas de interesse no controle administrativo do DAE para conduzir o processo de concessão ou eventual privatização da autarquia. Na avaliação apresentada no documento judicial, essa influência poderia abrir espaço para direcionamento de decisões administrativas, distribuição política de cargos e vantagens econômicas indevidas.
A apuração começou após uma notícia-fato relatar que Wanderley Cerqueira teria reunido mais de dez aliados em uma chácara na região do Distrito da Guia, em Cuiabá, na véspera da eleição para a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O imóvel seria do vereador Miguel Júnior.
Segundo o relato incorporado à investigação, os parlamentares teriam permanecido no local sob vigilância de homens armados enquanto aguardavam a votação, marcada para 14 de maio de 2026. A denúncia também mencionava o suposto uso de dinheiro em espécie para a compra de votos. Essas informações são objeto de apuração.
Cerqueira foi eleito presidente da Câmara para o biênio 2027/2028, mas o pleito acabou anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da antecipação da eleição em relação ao período permitido.
A disputa pela presidência ganhou relevância política após a renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL). Nesse cenário, o presidente da Câmara ocupa posição na linha sucessória do Executivo municipal em caso de vacância do cargo de prefeito, conforme as regras aplicáveis.
Entre os vereadores de Várzea Grande alvos da operação estão Wanderley Cerqueira, Alessandro Moreira, Wender Madureira, Sargento Galibert, Lucélia Oliveira, Kleberton Feitoza, Raul Curvo, Enfermeiro Emerson, Cilsinho, Braz Jaciro, Gisa Barros, Dr. Miguel e Rogerinho da Dakar, que já presidiu o DAE-VG.
Em Cuiabá, os mandados tiveram como alvos os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos. Os dois admitiram ter participado de um almoço na chácara antes da eleição da Mesa Diretora. A diretora financeira da Câmara de Várzea Grande, Lorineide Inhan, e o secretário legislativo Samir Katumata, conhecido como Samir Japonês, também foram alvos das diligências.
A operação mobilizou mais de 200 policiais, com apoio de unidades especializadas da Polícia Militar de Mato Grosso. O nome Cathedra Venalis, expressão em latim que significa “cadeira venal” ou “cargo negociado”, faz referência às suspeitas de negociação de cargos e influência política no poder público.
As suspeitas descritas na decisão judicial ainda dependem da apuração dos fatos e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos investigados.
Deixe o título mais diretoReduza as repetições sobre suspeitas


