Escala 6x1

Fim da escala 6×1 pode reduzir atividade do varejo e pressionar preços, aponta estudo

Segundo os pesquisadores, o principal desafio está relacionado ao aumento dos custos operacionais.

Por Eder Pereira 01/06/2026 às 13:00 3 min de leitura

A possível extinção da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa um, pode provocar impactos significativos no comércio varejista brasileiro e até influenciar o crescimento econômico do país. A avaliação consta em estudo elaborado pelo IBEVAR-FIA Business School, que estima reflexos negativos na geração de riqueza do setor e no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, caso a mudança seja implementada sem um período de adaptação.

De acordo com o levantamento, o varejo está entre os segmentos mais sensíveis à alteração por depender de operações contínuas. Supermercados, farmácias, postos de combustíveis, centros comerciais e lojas funcionam praticamente todos os dias da semana, muitas vezes por longos períodos. Com a redução dos dias trabalhados por funcionário, as empresas precisariam reorganizar escalas, ampliar contratações ou investir em tecnologia para manter o mesmo nível de atendimento.

Em um cenário de implementação imediata, a perda na geração de riqueza do varejo poderia variar entre 3,6% e 6,1%, dependendo do segmento e do porte da empresa. Os pequenos negócios aparecem como os mais vulneráveis aos efeitos da mudança.

O setor de tecidos, vestuário e calçados lidera as projeções de impacto, com queda estimada de até 6,1% entre empresas de menor porte. Nos supermercados, a redução pode alcançar 5,9% nos pequenos estabelecimentos e 5% nas grandes redes. Já os postos de combustíveis organizados em rede apresentam o menor impacto projetado, de 3,6%.

Segundo os pesquisadores, o principal desafio está relacionado ao aumento dos custos operacionais. Como o varejo tradicionalmente trabalha com margens de lucro reduzidas, muitas empresas teriam dificuldades para absorver o aumento das despesas com pessoal sem repassar parte dos custos ao consumidor.

Entre os possíveis efeitos apontados pelo estudo estão o aumento dos preços, a redução das margens de lucro, a desaceleração de investimentos, o fechamento de pequenos negócios e a aceleração dos processos de automação.

O levantamento também analisa os reflexos da medida sobre a economia brasileira. Como o varejo responde por aproximadamente 8% do PIB nacional, uma retração na atividade do setor poderia impactar diretamente o desempenho econômico do país. A estimativa é de redução de até 0,32 ponto percentual no PIB, dependendo do modelo de implementação.

Os autores destacam, entretanto, que os efeitos podem ser amenizados caso a transição ocorra de forma gradual. Em uma simulação com adaptação ao longo de dez anos, os impactos tendem a diminuir conforme as empresas incorporam novas tecnologias, processos automatizados e ganhos de produtividade.

No cenário considerado mais conservador, com crescimento anual de produtividade de 0,25%, a perda permanece próxima de 0,31 ponto percentual do PIB após uma década. Já em uma projeção mais otimista, baseada em maior adoção de automação e inteligência artificial, o impacto cairia para 0,25 ponto percentual.

Para os pesquisadores, a discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve não apenas questões trabalhistas, mas também a capacidade de adaptação das empresas e da economia. Enquanto representantes do setor comercial alertam para o aumento dos custos e dificuldades operacionais, defensores da mudança argumentam que jornadas mais curtas podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida, da saúde mental e da produtividade dos trabalhadores.

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