Exigência antidesmatamento da União Europeia põe exportações do agro brasileiro contra o relógio
Regulamento europeu exige comprovação de origem sustentável para grandes e médias empresas e coloca em jogo mercado de bilhões de dólares

Os exportadores do agronegócio brasileiro têm menos de 90 dias para contornar uma barreira que pode travar o envio de mercadorias para um dos mercados mais valiosos do planeta. A partir de 30 de dezembro, a União Europeia passa a exigir que grandes e médias empresas comprovem que suas remessas não tiveram origem em terras desmatadas após dezembro de 2022.
A medida impacta diretamente a balança comercial do país, que faturou cerca de US$ 22 bilhões em vendas do setor para os países do bloco em um único ano.
Quais produtos e empresas são afetados pela nova norma?
O regulamento ambiental europeu abrange algumas das principais commodities da pauta de exportação do país, exigindo um pente-fino sobre a cadeia produtiva:
- Produtos atingidos: soja, carne bovina, cacau, madeira e seus derivados.
- Exigências de comprovação: envio de documentação detalhada e, em determinados casos, imagens de satélite que comprovem a preservação das áreas.
- Prazos para pequenos: para micro e pequenas empresas, a exigência entra em vigor de forma definitiva apenas em meados de 2027.
Rastreabilidade: o grande gargalo da produção nacional
O maior desafio dos produtores rurais brasileiros para cumprir os requisitos europeus está na transparência de todo o caminho percorrido pelo produto, desde a fazenda até o porto.
Embora o Brasil conte com cadastros rurais informatizados, o sistema atual ainda é insuficiente para atender integralmente aos padrões rígidos exigidos pelos fiscais do bloco.
*Sob supervisão de Gene Lannes


