Disputa comercial

EUA criticam Pix e apontam prejuízo a empresas de pagamento, entenda

Relatório dos EUA acusa o Brasil de favorecer o Pix e sugere medidas comerciais contra produtos brasileiros

Por Camila Almeida 02/06/2026 às 17:30 3 min de leitura

O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Pix ao afirmar que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central favorece indevidamente empresas brasileiras e prejudica a concorrência de companhias norte-americanas do setor financeiro.

A avaliação consta em um relatório divulgado na segunda-feira (1/6) pelo escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), responsável por conduzir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano.

Segundo o documento, o Brasil adotaria políticas que beneficiam sua “campeã nacional”, o Pix, em detrimento de outras formas de pagamento oferecidas por empresas privadas. Entre as companhias que, segundo os EUA, seriam prejudicadas pela expansão do sistema brasileiro estão a Mastercard, a Visa e o serviço WhatsApp Pay.

O que diz o relatório

A recomendação foi assinada por Jennifer Thornton, conselheira jurídica-geral do USTR, e faz parte de uma investigação aberta em julho de 2025 durante o governo de Donald Trump.

O relatório questiona algumas exigências regulatórias estabelecidas pelo Banco Central do Brasil, como a obrigatoriedade de participação no Pix para instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas.

O documento também cita a exigência de que o sistema de pagamentos seja exibido em destaque nos aplicativos e plataformas financeiras, em condições semelhantes às de outras modalidades de transferência.

Na avaliação dos Estados Unidos, essas regras poderiam criar vantagens competitivas para o Pix em relação a soluções privadas oferecidas por empresas estrangeiras.

Possíveis medidas contra o Brasil

Além das críticas ao sistema de pagamentos, o relatório sugere medidas comerciais contra o Brasil. Entre elas está a possibilidade de aplicação de tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Antes de uma decisão definitiva, o governo brasileiro e empresas afetadas terão prazo até 15 de julho para apresentar manifestações e contestar as conclusões do documento. Após essa etapa, o governo norte-americano poderá decidir pela adoção de medidas consideradas corretivas.

Por que o Pix virou alvo?

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se tornou o principal meio de pagamento eletrônico do país ao oferecer transferências instantâneas e gratuitas para pessoas físicas.

O crescimento acelerado do sistema reduziu a dependência de métodos tradicionais, como TEDs, boletos e, em muitos casos, cartões de crédito e débito.

Analistas apontam que as críticas dos EUA estão relacionadas à concorrência direta que o Pix passou a representar para empresas de meios de pagamento, incluindo bandeiras de cartão e plataformas digitais.

Outro fator citado por especialistas é o avanço do sistema em operações internacionais, que em alguns casos passou a ser utilizado como alternativa a transações tradicionalmente realizadas em dólar.

Pressão de empresas de tecnologia e pagamentos

Segundo informações divulgadas pela agência de notícias Bloomberg, empresas do setor financeiro e grandes companhias de tecnologia têm pressionado o governo Trump a adotar medidas contra o modelo brasileiro.

Entre os grupos mencionados estariam operadoras de cartões de crédito e empresas de tecnologia que atuam no mercado global de pagamentos digitais.

O caso amplia uma disputa comercial que já envolve outros setores da economia brasileira e coloca o Pix, uma das principais inovações financeiras do país nos últimos anos, no centro das tensões entre Brasília e Washington.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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