Brasil nega visto a diplomatas dos EUA após reunião que levantou suspeitas sobre eleições
Itamaraty barrou enviados do governo norte-americano após evento em Brasília que colocou em xeque a segurança do sistema eleitoral brasileiro

O governo brasileiro adotou uma postura firme de defesa da soberania nacional a poucos meses das eleições de outubro. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou neste sábado (25/7) que negou a concessão de vistos de entrada para dois altos funcionários do governo dos Estados Unidos.
A recusa ocorreu após o Departamento de Estado norte-americano demonstrar interesse em enviar os representantes para conversar com autoridades brasileiras sobre “liberdade de expressão e eleições”. No entanto, a diplomacia brasileira considerou a missão uma tentativa de instrumentalização política do processo eleitoral do país.
Por que o Brasil negou os vistos?
A decisão do Itamaraty foi motivada por um evento político recente e pela tentativa de interferência externa no debate eleitoral. O subsecretário de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson tiveram o visto negado.
O pedido de autorização chegou logo após políticos brasileiros se reunirem com diplomatas estrangeiros para levantar dúvidas e suspeitas sobre o sistema de votação do país.O governo brasileiro concluiu que a visita dos enviados dos EUA, no atual contexto, seria usada para alimentar narrativas políticas contra o processo democrático.
Fake news desmentida pelo TSE
A crise diplomática ganhou força após declarações feitas durante o encontro com diplomatas em Brasília. O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou sem apresentar provas que as urnas brasileiras pertenceriam à empresa venezuelana Smartmatic.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reagiu rapidamente e desmentiu a informação. O TSE esclareceu que os equipamentos e os softwares das urnas foram projetados por servidores e técnicos da própria Justiça Eleitoral.
A fabricação dos aparelhos é feita sob coordenação direta do tribunal por empresas privadas vencedoras de licitações públicas transparentes e concorridas. A Justiça Eleitoral reforçou que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou sistemas para as eleições brasileiras.
*Sob supervisão de Gene Lannes


