Tensão na América do Sul

Crise diplomática se agrava, Itamaraty rebate ofensas de Javier Milei sobre eleições brasileiras

Ministério das Relações Exteriores repudia declarações do líder argentino sobre a votação de domingo e reforça que decisão sobre o futuro do país cabe apenas aos brasileiros

Por Camila Almeida 20/10/2026 às 21:30 2 min de leitura

A reta final do segundo turno das eleições no Brasil ultrapassou as fronteiras nacionais e provocou um novo e severo sobressalto diplomático na América do Sul. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) reagiu com firmeza nesta terça-feira (20/10) às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu, sem qualquer prova, o risco de fraude no pleito do próximo domingo (25/10).

A postura do governo brasileiro evidencia o ápice do desgaste nas relações entre os dois maiores parceiros comerciais do bloco do Mercosul.

Ataques nas redes sociais provocam nota oficial

A nova escalada do conflito verbal começou após Milei compartilhar no X (antigo Twitter) uma publicação com severas críticas à campanha de Lula, escrevendo: “Espero que o último truque sujo de campanha dele não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”.

Em nota oficial repudiosa, a diplomacia brasileira rebateu o líder vizinho, o Itamaraty afirmou que Milei reitera mentiras e adota uma atitude “antidemocrática e desequilibrada”, incompatível com o papel de chefe de Estado de um país aliado.

O texto ressalta de forma categórica que o destino político do Brasil pertence exclusivamente aos eleitores brasileiros, sem espaço para interferência ou ingerência externa.

Histórico de atritos e crise diplomática histórica

A relação bilateral enfrenta seu pior momento em décadas. O alinhamento explícito de Milei com o candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), vem alimentando episódios sucessivos de tensão institucional:

Durante a convenção que lançou a candidatura da oposição, o presidente argentino direcionou ofensas verbais diretas a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Como resposta imediata, o Brasil convocou o embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas e cobrou explicações formais do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi.

    Com a votação de domingo se aproximando, o posicionamento do Itamaraty reforça que a escolha do próximo presidente será feita estritamente dentro das regras democráticas estabelecidas pela Justiça Eleitoral brasileira.

    *Sob supervisão de Gene Lannes

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