Centro de Promoções Humanas Bom Pastor amplia atendimento a pessoas com dependência química
A obra foi realizada no Centro de Promoções Humanas Bom Pastor, em Várzea Grande, com a destinação de R$ 292 mil das Ações Afirmativas da Justiça do Trabalho. O espaço foi inaugurado na sexta-feira (18)

A cozinha que antes era pequena, rústica e improvisada agora conta com fogão industrial, utensílios novos e equipamentos que serão usados na capacitação das pessoas em tratamento de dependência química. A obra foi realizada no Centro de Promoções Humanas Bom Pastor, em Várzea Grande, com a destinação de R$ 292 mil das Ações Afirmativas da Justiça do Trabalho. O espaço foi inaugurado na sexta-feira (18).
O presidente do Tribunal, desembargador Aguimar Peixoto, esteve no local para conhecer as novas instalações, que incluem cozinha industrial, padaria, refeitório e espaços para armazenamento de alimentos. Com cerca de 300 metros quadrados, a estrutura será utilizada tanto para o preparo das refeições quanto para a oferta de cursos de qualificação profissional aos internos da entidade.
O magistrado destacou o impacto alcançado com a destinação dos recursos. “A Justiça do Trabalho tem esse caráter social. Ao contrário de outros tribunais que destinam os valores de multas e condenações para um fundo nacional, o TRT/MT reverte essas verbas em ações que beneficiem a comunidade, como essa do Centro Bom Pastor.”
Para quem acompanhou de perto as transformações no espaço, a inauguração teve um significado ainda mais especial. É o caso de Cristiano Henrique de Oliveira, que está em tratamento na instituição há cerca de um ano. Nesse período, ele já participou de cursos e começou a se preparar para a vida fora do Bom Pastor. “Na hora que eu vi isso aqui, correu lágrima dos meus olhos. É uma alegria que não cabe no meu coração”, contou.
Recomeço
O presidente do Centro de Promoções Humanas Bom Pastor, Reginaldo Mendes Feitosa, também conhece os desafios da dependência química. Ele perdeu bens e vínculos familiares e chegou a morar na rua. Depois de buscar tratamento, passou a atuar na recuperação de outras pessoas.
Foi dessa experiência que nasceu o sonho de criar uma instituição acessível também para quem não tem condições de pagar por um tratamento. “Ajudar essas pessoas a resgatar os laços familiares e dar condições de inseri-las na sociedade e no trabalho é muito gratificante, especialmente porque eu já vi e acompanhei o sofrimento de várias famílias que não tinham condições de arcar com esses custos”, afirmou.
Construindo Sabores
O novo espaço do Centro Bom Pastor integra o projeto Construindo Sabores, criado para oferecer cursos de qualificação profissional às pessoas atendidas pela entidade. A proposta é ampliar as oportunidades de reinserção social e preparar os participantes para o mercado de trabalho.
Com a nova estrutura, a expectativa é alcançar cerca de 700 pessoas por meio dos cursos, que poderão receber certificado ao final da formação. A coordenadora da entidade, Celina Maria Gonçalves, destaca que a qualificação representa uma oportunidade para quem busca reconstruir a própria trajetória. “É dar condições de recomeçar para quem opta pelo tratamento e também para aqueles que procuram nossa instituição em busca de um conhecimento profissional”, explica.
O Centro de Promoções Humanas Bom Pastor está localizado na região do Capão do Pequi, em Várzea Grande. A organização não governamental foi criada há quase quatro anos e atende atualmente 90 pessoas, com capacidade para acolher até 120 homens que buscam superar a dependência química. A instituição também mantém outras duas unidades: uma destinada ao atendimento de mulheres e outra voltada ao acolhimento de idosos em situação de vulnerabilidade.
Ações Afirmativas
Os recursos que viabilizam as destinações para associações e projetos sociais são provenientes de condenações trabalhistas, indenizações por danos morais coletivos e multas por descumprimento de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs).
A destinação ocorre após a aprovação dos projetos pela Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas, formada pelo TRT, MPT e OAB.
Associações filantrópicas, órgãos públicos e projetos sociais regularmente constituídos podem se cadastrar para pleitear os recursos. Os projetos devem estar relacionados com a promoção do direito social do trabalho, o enfrentamento ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão, além da disseminação de boas práticas em saúde e segurança do trabalho.


