Alzheimer exige atenção quando falhas de memória começam a comprometer a rotina
Setembro Lilás chama atenção para repetição de perguntas, desorientação e dificuldade em atividades antes simples

Repetir perguntas, esquecer acontecimentos recentes, perder-se em lugares conhecidos ou ter dificuldade para administrar dinheiro e medicamentos são sinais que podem indicar alterações cognitivas e merecem avaliação médica, especialmente quando começam a interferir na rotina e na autonomia.
Durante o Setembro Lilás, mês de conscientização sobre a doença de Alzheimer, o neurologista do Hospital São Mateus, Raphael Diniz Ridolfi, reforça que o principal ponto de atenção está no impacto dessas mudanças sobre a vida diária e na dificuldade de recuperar informações mesmo com ajuda.
“Uma pessoa pode esquecer onde colocou as chaves e depois se lembrar. No Alzheimer, ela pode não apenas esquecer onde estão, mas também não recordar para que servem ou que acabou de utilizá-las”, pontua.
Entre os sinais que merecem atenção estão ainda dificuldade para realizar tarefas familiares, alterações na linguagem, perda de orientação no tempo e no espaço e mudanças de personalidade ou comportamento. Em muitos casos, os familiares percebem essas transformações antes do próprio paciente.
Segundo ele, a avaliação médica é importante porque nem todo quadro de perda de memória está relacionado ao Alzheimer. Condições como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e efeitos de alguns medicamentos também podem provocar sintomas semelhantes e precisam ser investigadas.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades
Identificar a doença nas fases iniciais abre uma janela de oportunidade para iniciar o acompanhamento, planejar os cuidados futuros e avaliar tratamentos indicados para pacientes selecionados.
O diagnóstico combina avaliação clínica, testes cognitivos e exames complementares. Dependendo do caso, podem ser utilizados exames de imagem, análise do líquido cefalorraquidiano e biomarcadores relacionados às proteínas amiloide e tau.
Entre os avanços mais recentes estão os exames de sangue capazes de identificar alterações associadas ao Alzheimer. De acordo com o neurologista, esses testes podem contribuir para tornar a investigação mais acessível no futuro, principalmente em pacientes com sintomas leves.
Tratamento busca preservar autonomia
O cuidado combina medicamentos e medidas não farmacológicas. Além dos tratamentos utilizados para controle dos sintomas, pacientes selecionados nas fases iniciais podem ter indicação de terapias direcionadas à proteína amiloide.
Manter uma rotina organizada, adaptar o ambiente para reduzir riscos, praticar exercícios físicos e contar com acompanhamento de profissionais como terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos também pode contribuir para preservar a independência.
Raphael destaca ainda que o suporte ao cuidador faz parte do tratamento, já que acompanhar uma pessoa com Alzheimer exige preparo, orientação e atenção também à saúde de quem cuida.
“O tratamento não se resume aos medicamentos. Envolve preservar as habilidades que a pessoa ainda possui, garantir segurança, adaptar a rotina e oferecer suporte à família e ao cuidador”, reforça Raphael Diniz Ridolfi.


