Wanderley cobra obras, defende independência e fala sobre eleição anulada
Wanderley fez questão de afirmar que Executivo e Legislativo mantêm convivência institucional, mas reforçou que a Câmara tem atuado com independência.

Durante entrevista concedida à imprensa após a última sessão ordinária do semestre, o presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, fez um balanço dos trabalhos do Legislativo, comentou sobre a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), falou da relação entre Executivo e Legislativo e também abordou o cenário da eleição para a presidência da Casa de Leis, realizada em maio e que, por enquanto, permanece anulada por decisão judicial.
Ao iniciar a entrevista, Wanderlei classificou a sessão como tranquila e destacou que a pauta foi marcada por homenagens.
“Foi uma sessão tranquila. Última sessão do semestre, fizemos entrega de títulos de cidadão e moções de aplauso”, afirmou.
Na sequência, o presidente comentou sobre a definição dos integrantes da CPI aprovada pela Câmara para apurar possíveis irregularidades relacionadas a obras na Avenida Leôncio Lopes de Miranda. Segundo ele, o processo ocorreu por sorteio e de forma transparente.
“A CPI nós fizemos por sorteio. Foi um sorteio bem transparente. Inclusive, depois mandei entregar os nomes que estavam dentro da caixinha para os vereadores que estavam presentes”, declarou.
Sobre o motivo da investigação, Wanderlei afirmou que existem questionamentos envolvendo pagamentos ligados à gestão anterior.
“Existe a informação de que houve um pagamento de R$ 1,3 milhão referente à gestão passada, mas que teria sido pago nesta gestão. Então essa CPI vai averiguar os fatos e verificar se isso realmente aconteceu.”
Segundo ele, caberá à comissão conduzir os trabalhos e apresentar uma conclusão.
“São três vereadores que vão participar da comissão. Eles vão analisar documentos, convocar o proprietário da empresa, chamar secretários e apresentar um relatório final. Com certeza os fatos serão levantados e quem tiver responsabilidade deverá responder.”
Ao falar dos projetos que seguem em tramitação para o segundo semestre, Wanderley destacou que a condução dos trabalhos legislativos não depende apenas da presidência.
“Não é o presidente que decide sozinho. Existem as comissões e existe o regimento interno da Casa que precisa ser respeitado. Muitas vezes tudo recai sobre o presidente, mas aqui seguimos o regimento.”
Questionado sobre a reivindicação da Guarda Municipal para inclusão de projeto em pauta, o presidente afirmou que existem outras categorias aguardando análise de planos de cargos e salários e defendeu tratamento igualitário entre servidores.
“O que não pode acontecer é duas pessoas que fizeram o mesmo concurso, no mesmo ano, para o mesmo cargo e com o mesmo salário receberem tratamento diferente apenas porque estão em secretarias distintas.”
Sobre a relação entre os poderes, Wanderley fez questão de afirmar que Executivo e Legislativo mantêm convivência institucional, mas reforçou que a Câmara tem atuado com independência.
“Eu acredito que a relação entre Executivo e Legislativo está 100%. O Legislativo tem feito um trabalho de transparência e independência.”
Apesar da declaração de harmonia institucional, o presidente endureceu o discurso ao avaliar a aplicação dos recursos públicos e cobrou resultados da administração municipal.
Segundo ele, a Câmara autorizou remanejamentos e créditos orçamentários expressivos para o Executivo, mas agora espera retorno em forma de investimentos.
“Nós aprovamos mais de R$ 160 milhões em créditos. A prefeita administra um orçamento de R$ 2 bilhões e 37 milhões. A Câmara autorizou quase R$ 200 milhões em movimentações orçamentárias. Agora queremos ver obra.”
Ele também questionou onde os recursos próprios estão sendo aplicados.
“Tem sido solicitado remanejamento de até 30% do orçamento, o que representa quase R$ 700 milhões. A Câmara quer saber para onde está indo esse dinheiro, porque a população quer ver resultado.”
Ao citar exemplos, Wanderley afirmou que as obras mais visíveis atualmente teriam origem em recursos federais.
“As obras que estamos vendo, inclusive creches e outras intervenções, são recursos do Governo Federal. Então eu pergunto: os recursos próprios do município estão sendo investidos em qual obra?”
Por fim, o presidente comentou o cenário político envolvendo a presidência da Câmara Municipal. Wanderley lembrou que a eleição da Mesa Diretora realizada em maio acabou anulada provisoriamente por decisão judicial, mas afirmou que continua confiante em manter apoio suficiente entre os vereadores.
“Nós ganhamos a eleição. Foi por um voto, mas vencemos. Agora não basta ganhar em Brasília, tem que ganhar aqui dentro também.”
Segundo ele, além da disputa jurídica, qualquer definição depende da composição política dentro da própria Câmara.
“Sem os votos dentro da Câmara não existe eleição. Continuamos dialogando e acredito que mais vereadores estão se aproximando porque enxergam uma gestão transparente, verdadeira e que respeita todos os parlamentares.”


