Vacina funciona

Vacinação contra HPV despenca infecção entre mulheres para 3,1%, mas baixa adesão masculina liga alerta

Maior levantamento da América Latina mostra eficácia do imunizante do SUS, inclusive no formato de aplicação em dose única

Por Camila Almeida 25/07/2026 às 18:30 3 min de leitura

Uma proteção simples aplicada no braço está salvando milhares de brasileiros contra o câncer. O maior estudo sobre a eficácia da vacina contra o HPV já feito na América Latina revelou que a presença dos quatro principais tipos do vírus caiu quase pela metade no Brasil após o avanço da imunização.

O levantamento Pop-Brasil, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, comparou amostras coletadas em dois momentos (2016-2017 e 2020-2023). O resultado comprovou que, onde a vacina entra, o vírus perde espaço e que a dose única oferecida pelo SUS é suficiente para proteger.

O impacto direto da vacina na população

A redução do vírus entre quem tomou a vacina foi drástica em comparação com o período pré-imunização:

  • Mulheres e meninas: A presença dos tipos mais perigosos do HPV despencou de 15,6% (antes da vacina) para apenas 3,1% entre as vacinadas.
  • Homens e meninos: A infecção caiu de 13,8% para 4,6% entre os imunizados.
  • Média geral do país: A infecção pelos tipos cobertos pela vacina recuou de 14,98% para 7,95% no período analisado.

O que é o HPV? É o Papilomavírus Humano, uma infecção sexualmente transmissível que representa a principal causa do câncer de colo do útero, além de provocar tumores no pênis, ânus e garganta. A vacina do SUS protege contra os quatro tipos mais agressivos da doença.

Dose única do SUS é eficaz

Uma das descobertas mais importantes do estudo é que a estratégia atual adotada pelo Ministério da Saúde funciona perfeitamente:

  • Sem diferença entre doses: A proteção contra o vírus foi exatamente a mesma em quem tomou uma, duas ou três doses da vacina.
  • Simplificação: Isso valida a mudança adotada pelo SUS de aplicar apenas uma dose no esquema básico de vacinação, facilitando o cumprimento da meta.

O alerta: Baixa adesão entre os homens

Embora os dados comprovem a eficácia da vacina, a taxa de cobertura no Brasil ainda está longe do ideal de 90% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A baixa adesão do público masculino impede a criação da “imunidade de rebanho” (quando a circulação do vírus cai tanto que protege até quem não se vacinou):

  • Mulheres vacinadas na pesquisa: 61,8%
  • Homens vacinados na pesquisa: Apenas 31,1%

Quem pode se vacinar gratuitamente no SUS?

O imunizante está disponível nos postos de saúde de todo o país para os seguintes grupos:

  • Crianças e adolescentes: Meninos e meninas de 9 a 14 anos (dose única).
  • Grupos prioritários de qualquer idade: Pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e pessoas com histórico de lesões no colo do útero.

*Sob supervisão de Gene Lannes

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