Vacinação contra HPV despenca infecção entre mulheres para 3,1%, mas baixa adesão masculina liga alerta
Maior levantamento da América Latina mostra eficácia do imunizante do SUS, inclusive no formato de aplicação em dose única

Uma proteção simples aplicada no braço está salvando milhares de brasileiros contra o câncer. O maior estudo sobre a eficácia da vacina contra o HPV já feito na América Latina revelou que a presença dos quatro principais tipos do vírus caiu quase pela metade no Brasil após o avanço da imunização.
O levantamento Pop-Brasil, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, comparou amostras coletadas em dois momentos (2016-2017 e 2020-2023). O resultado comprovou que, onde a vacina entra, o vírus perde espaço e que a dose única oferecida pelo SUS é suficiente para proteger.
O impacto direto da vacina na população
A redução do vírus entre quem tomou a vacina foi drástica em comparação com o período pré-imunização:
- Mulheres e meninas: A presença dos tipos mais perigosos do HPV despencou de 15,6% (antes da vacina) para apenas 3,1% entre as vacinadas.
- Homens e meninos: A infecção caiu de 13,8% para 4,6% entre os imunizados.
- Média geral do país: A infecção pelos tipos cobertos pela vacina recuou de 14,98% para 7,95% no período analisado.
O que é o HPV? É o Papilomavírus Humano, uma infecção sexualmente transmissível que representa a principal causa do câncer de colo do útero, além de provocar tumores no pênis, ânus e garganta. A vacina do SUS protege contra os quatro tipos mais agressivos da doença.
Dose única do SUS é eficaz
Uma das descobertas mais importantes do estudo é que a estratégia atual adotada pelo Ministério da Saúde funciona perfeitamente:
- Sem diferença entre doses: A proteção contra o vírus foi exatamente a mesma em quem tomou uma, duas ou três doses da vacina.
- Simplificação: Isso valida a mudança adotada pelo SUS de aplicar apenas uma dose no esquema básico de vacinação, facilitando o cumprimento da meta.
O alerta: Baixa adesão entre os homens
Embora os dados comprovem a eficácia da vacina, a taxa de cobertura no Brasil ainda está longe do ideal de 90% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A baixa adesão do público masculino impede a criação da “imunidade de rebanho” (quando a circulação do vírus cai tanto que protege até quem não se vacinou):
- Mulheres vacinadas na pesquisa: 61,8%
- Homens vacinados na pesquisa: Apenas 31,1%
Quem pode se vacinar gratuitamente no SUS?
O imunizante está disponível nos postos de saúde de todo o país para os seguintes grupos:
- Crianças e adolescentes: Meninos e meninas de 9 a 14 anos (dose única).
- Grupos prioritários de qualquer idade: Pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e pessoas com histórico de lesões no colo do útero.
*Sob supervisão de Gene Lannes


