TJ rejeita recurso e mantém ação contra acusada de mandar matar advogado
Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que não há ilegalidade evidente que justifique a suspensão imediata da ação penal

O juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou liminar requerida pela defesa da produtora rural Elenice Ballarotti Laurindo que buscava trancar o processo em relação à acusada. Ele é acusada de ser uma das mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá.
A defesa tentava o trancamento da ação alegando falta de provas de que ela tenha praticado qualquer ato consciente e direto no crime. Para os advogados, a denúncia se apoia apenas em uma ligação telefônica feita após o crime, registrada em nome dela, mas que na verdade teria feita pelo marido; e em movimentações bancárias que também seriam controladas por Aníbal Laurindo.
Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que não há ilegalidade evidente que justifique a suspensão imediata da ação penal. “A denúncia descreve elementos que, ainda que controvertidos pela defesa, não se revelam manifestamente inidôneos a ponto de autorizar o trancamento liminar da ação penal”, diz trecho da decisão.
“Não se constata, de plano, os requisitos para o deferimento da urgência”, escreveu ainda na decisão.
Além de Elenice e do marido, Aníbal Laurindo, viraram réus: o coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como mentor do grupo criminoso “Comando C4”; o intermediário Hedilerson Fialho Martins Barbosa; o executor Antônio Gomes da Silva; e Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Junior, Salezia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, ligados ao apoio logístico.
Relembre o crime
O advogado Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando chegava ao seu escritório em Cuiabá. A Polícia Civil identificou o pedreiro Antônio Gomes da Silva como executor. Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou no celular do advogado conversas com empresários, desembargadores e com o lobista Andreson Gonçalves, apontado como intermediador da suposta compra de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ).


