Disputa Mesa Diretora

Racha na base aliada expõe disputa antecipada pela presidência da Câmara de Cuiabá

Maysa revelou que somente na última sexta-feira (15) foi informada diretamente sobre a intenção de Paula Calil de buscar a reeleição.

Por Eder Pereira 19/05/2026 às 16:30 3 min de leitura

A disputa pela futura Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos contornos nesta terça-feira (19), após a vereadora Maysa Leão fazer duras críticas à possível mudança no regimento interno da Casa para permitir a reeleição da atual presidente, Paula Calil.

Durante entrevista e também em pronunciamento no plenário, Maysa afirmou que as articulações para a sucessão da presidência começaram ainda no início do ano e acusou o prefeito Abilio Brunini de interferir diretamente nas negociações internas do Legislativo municipal.

Segundo a parlamentar, as primeiras movimentações giravam em torno dos nomes dos vereadores Dilemário Alencar e Hélder Taques, este último apontado como pré-candidato apoiado pelo Podemos. Ela destacou que, até recentemente, Paula Calil não havia demonstrado interesse oficial em disputar um novo mandato à frente da Câmara, alegando inclusive que o atual regimento interno impediria uma recondução consecutiva.

Maysa revelou que somente na última sexta-feira (15) foi informada diretamente sobre a intenção de Paula Calil de buscar a reeleição. Antes disso, segundo a vereadora, apenas integrantes ligados ao núcleo político do Executivo municipal comentavam nos bastidores sobre a possibilidade de mudança regimental para viabilizar a candidatura.

Em tom crítico, Maysa afirmou que a atuação do prefeito acabou contaminando o debate interno da Câmara. Para ela, a interferência do Executivo inviabilizou qualquer discussão equilibrada sobre alterações nas regras da eleição da Mesa Diretora.

A vereadora também rebateu discursos envolvendo machismo político no episódio e ironizou a estratégia adotada por aliados da atual presidente. Conforme declarou, a movimentação articulada nos bastidores “afundou” a chance de aprovação de uma mudança no regimento que abriria caminho para a recondução de Paula Calil.

Apesar das críticas, Maysa ressaltou que não possui objeção automática à possibilidade de reeleição na Mesa Diretora. Ela afirmou compreender que projetos administrativos mais amplos muitas vezes exigem continuidade além de dois anos de mandato. Ainda assim, diante do atual cenário político, garantiu que votará contra qualquer alteração regimental neste momento.

Ao reforçar sua posição, a parlamentar confirmou apoio à candidatura de Hélder Taques para a presidência da Câmara. Segundo ela, o acordo político firmado prevê a construção de uma Mesa Diretora pluripartidária, reunindo representantes de diferentes grupos políticos da Casa.

De acordo com a composição defendida por Maysa, Hélder Taques assumiria a presidência representando o Podemos; Eduardo Magalhães ocuparia a primeira vice-presidência pelo Republicanos; Michelly Alencar ficaria na segunda vice-presidência pelo União Brasil; e Paula Calil assumiria a primeira secretaria representando o PL. A segunda secretaria ainda segue em negociação.

Maysa afirmou que manterá o compromisso político firmado com o grupo, desde que a proposta de uma Mesa Diretora plural seja preservada. O episódio evidencia o clima de divisão nos bastidores da Câmara de Cuiabá e mostra que a disputa pelo comando do Legislativo municipal já mobiliza diferentes forças políticas meses antes da eleição interna.

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