Psicologia complementa atendimento de alta complexidade no Hospital Central
Unidade tem profissionais especializados em fazer o acolhimento de pacientes e familiares

Especializado no atendimento de pacientes que demandam cuidado especializado, o Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, unidade pública administrada pelo Einstein Hospital Israelita, montou uma equipe de psicólogos para garantir o acolhimento necessário nas diferentes situações. A assistência psicológica tem o objetivo de tornar a jornada hospitalar mais confortável, inclusive após a alta. Ao todo, são oito profissionais, muitos deles especializados na assistência em internação.
O responsável técnico pelo setor no Hospital Central, o psicólogo Pedro Mathias, esclarece que a necessidade da abordagem costuma ser identificada pelo médico que atende o paciente. “O psicólogo vai até o paciente com a missão de acolhê-lo e contribuir para que sua jornada de cuidado seja mais leve e confortável. Essa troca pode minimizar não só os efeitos físicos do procedimento, mas também os emocionais, tanto no momento pré como no pós-operatório”, descreve.
Desde janeiro, quando o Hospital Central começou a atender, a psicologia da unidade se deparou com variadas realidades de transtornos psíquicos e emocionais de pacientes que foram internados por questões físicas. O setor identificou as condições e contribuiu para uma melhor condução médica – tanto ao longo da internação dos pacientes como para o desfecho (a alta).
Entre os quadros identificados, estão abstinência por uso de substâncias psicotrópicas, bipolaridade, transtorno do espectro autista (TEA) e de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “A função da psicologia hospitalar nesses casos é ajudar a equipe médica e multiprofissional que assiste o paciente a tornar o tratamento mais assertivo, levando em consideração os quadros psíquicos”, observou.
As alterações físicas causadas pela realização de cirurgias também são ponto de atenção, tendo em vista que podem produzir efeitos emocionais. Ser ouvido pela psicologia do Hospital Central pode ajudar o paciente a ter uma maior adesão aos encaminhamentos pós-operatórios. Além disso, lidar com óbitos também é atribuição da psicologia, para facilitar a comunicação com familiares.
A interação com os pacientes do Hospital Central também se dá por visita síncrona, que são videochamadas entre pacientes e familiares que têm, por exemplo, restrições de acesso ao hospital.
“A psicologia em uma unidade de alta complexidade é fundamental, considerando que o hospital trata pacientes com condições críticas, que comprometem sua qualidade de vida e, muitas vezes, sua saúde mental. Dessa forma, os profissionais da área tornam a jornada hospitalar, mesmo ainda antes da internação, o menos impactante possível. São de extrema relevância para o nosso cuidado”, salienta a diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor. Ela ainda acrescenta que, quando necessário, há um suporte psiquiátrico feito através da telemedicina, com profissionais do Einstein.
O Hospital Central de Alta Complexidade atende 100% pelo Sistema Único de Saúde em Mato Grosso e os pacientes são encaminhados pela Central Estadual de Regulação. A unidade já está em plena operação, com 287 leitos e 12 especialidades cirúrgicas ofertadas.


