Projeto “É Pra Já”, da “Casa do Zeca”, fortalece rede de apoio às famílias de pessoas com autismo em MT
Ao longo dos últimos anos, o projeto já percorreu 39 municípios mato-grossenses, beneficiando mais de 12 mil pessoas

A informação e o acolhimento têm se tornado ferramentas fundamentais para melhorar a qualidade de vida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suas famílias. Com esse propósito, a “Casa do Zeca” desenvolve o projeto “É Pra Já”, iniciativa idealizada por Irajá Lacerda e Júlio Panoff, que reúne ações de orientação, capacitação e encaminhamento de famílias aos serviços públicos e aos direitos garantidos por lei.
Voltado aos pais, responsáveis, profissionais da educação e da saúde, o projeto atua na disseminação de conhecimento sobre o autismo, promovendo mutirões em diversas regiões de Mato Grosso. A proposta é ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e orientar as famílias desde a identificação dos primeiros sinais até o acompanhamento especializado.
Ao longo dos últimos anos, o projeto já percorreu 39 municípios mato-grossenses, beneficiando mais de 12 mil pessoas. Além do atendimento direto às famílias, mais de cinco mil profissionais da educação receberam capacitação para identificar sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA), do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), do Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e de outras neurodiversidades no ambiente escolar.
Segundo Júlio Panoff, um dos idealizadores do projeto, a escola exerce um papel decisivo na identificação precoce dos sinais apresentados pelas crianças e no acolhimento das famílias.
“Nos últimos dois anos, capacitamos mais de cinco mil profissionais da educação para reconhecer os sinais do autismo e de outras neurodiversidades desde a primeira infância. O objetivo é que a escola saiba identificar esses comportamentos e também acolher a família, mostrando que o diagnóstico não representa um fim, mas o início de um novo caminho de desenvolvimento para a criança”, afirma.
Depois da confirmação do diagnóstico, o trabalho do “É Pra Já” continua. A equipe orienta pais e educadores sobre estratégias de inclusão escolar, acompanhamento terapêutico e acesso aos direitos sociais previstos na legislação brasileira.
Um dos principais serviços oferecidos pelo projeto é o suporte às famílias no encaminhamento para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As equipes prestam orientações sobre documentação, requisitos legais e procedimentos necessários para solicitar o benefício, contribuindo para que famílias em situação de vulnerabilidade consigam acessar esse importante direito.
Além da orientação jurídica e social, o projeto também busca conscientizar a sociedade sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com autismo. Entre eles estão as dificuldades de comunicação, interação social, seletividade alimentar e sensibilidade sensorial, situações que impactam diretamente a rotina familiar, especialmente das mães, que frequentemente assumem grande parte dos cuidados.
Para Júlio Panoff, um dos maiores desafios ainda está na falta de profissionais especializados, principalmente nos municípios do interior de Mato Grosso.
“Percebemos que o acesso a psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros profissionais especializados ainda é muito limitado fora dos grandes centros. Precisamos investir na formação dessas pessoas para que elas possam atender às próprias comunidades e ampliar o acesso ao tratamento”, destaca.
Na avaliação dos idealizadores, o fortalecimento das políticas públicas voltadas à inclusão passa pela valorização dos profissionais que atuam diretamente com pessoas neurodivergentes. Para eles, ampliar a oferta de cursos de capacitação e formação profissional representa um passo importante para reduzir as desigualdades no atendimento especializado.
Mais do que promover informação, o “É Pra Já” busca construir uma rede permanente de apoio às famílias, aproximando a população dos serviços disponíveis e contribuindo para que crianças, adolescentes e adultos com autismo tenham acesso a diagnóstico, acompanhamento e inclusão social.
A iniciativa reafirma o compromisso da Casa do Zeca com a promoção da cidadania, da inclusão e do acesso aos direitos, consolidando-se como uma das principais ações sociais voltadas ao autismo em Mato Grosso.


