Petrobras reajusta gasolina, mas impacto nas bombas deve ser menor
Petrobras elevou gasolina em R$ 0,48 nas refinarias, mas subvenção federal deve limitar alta ao consumidor

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28/05) um reajuste de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina A vendida às distribuidoras. Apesar do aumento nas refinarias, a expectativa é de que o impacto para o consumidor final seja bem menor: até R$ 0,04 por litro nos postos, segundo estimativa da estatal.
A diferença acontece por dois fatores principais: a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro na gasolina comercializada nos postos e a subvenção criada pelo governo federal para conter a alta dos preços.
Governo criou compensação
Na última terça-feira (26/05), o governo federal publicou um decreto prevendo uma subvenção de até R$ 0,44 por litro para reduzir o efeito do reajuste ao consumidor.
O aumento já vinha sendo esperado pelo mercado e havia sido antecipado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, nas últimas semanas. A estatal aguardava apenas a definição das medidas de compensação do governo antes de oficializar o reajuste.
Primeira alta desde 2025
Essa é a primeira mudança no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras desde outubro de 2025, quando a companhia reduziu os valores em 4,9%.
O reajuste acontece em meio à forte alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo agravamento da guerra no Irã. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço de paridade de importação da gasolina nos portos brasileiros subiu quase 80% desde o início do conflito no Oriente Médio.
De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), antes do reajuste desta quinta-feira, a gasolina da Petrobras estava R$ 1,37 por litro abaixo da paridade internacional.
Pressão internacional
Além da crise geopolítica, o aumento da demanda por combustíveis no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos durante o verão, também pressionou os preços nas últimas semanas.
O cenário internacional vinha ampliando a defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e os valores do mercado global, aumentando a pressão por um reajuste nas refinarias.
*Sob supervisão de Gene Lannes


