OPERAÇÃO ARCANUM

PC mira quadrilha que chantageava vítimas  com ameaça de divulgação de conteúdo íntimo

Grupo criminoso buscava vítimas em um site de relacionamento e exigia valores mediante ameaça de divulgação de conteúdo íntimo

Por Valdemar Félix 16/09/2026 às 08:00 4 min de leitura

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre ordens judiciais, na manhã desta quarta-feira (16.9), na Operação Arcanum, deflagrada pela Polícia do Distrito Federal com foco na desarticulação de um grupo criminoso especializado na prática reiterada de extorsão digital, mediante ameaça de divulgação de conteúdo íntimo de vítimas.

Segundo as investigações, o grupo utilizava uma plataforma de relacionamento voltada a casais liberais para chegar às vítimas.

Na operação, são cumpridos três mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão no Estado de Mato Grosso, além de um mandado de busca e apreensão no Estado de Santa Catarina, deferidos pela Justiça.

Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de cena de nudez ou conteúdo íntimo sem consentimento, cujas penas máximas, somadas, podem alcançar 18 anos de reclusão, sem prejuízo de outros crimes que venham a ser identificados no curso da investigação.

As ordens judiciais tiveram como base investigações conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor), da Polícia Civil do Distrito Federal.

Em Mato Grosso, os mandados são cumpridos pela equipe da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), nas cidades de Tangará da Serra, Barra do Bugres e Cáceres, com apio das equipes policiais das delegaciasdos respectivos municípios. A operação também conta com a participação da Polícia Civil de Santa Catarina.

Investigações

A investigação teve início a partir de ocorrências registradas no Distrito Federal, nas quais as vítimas relataram que passaram a ser constrangidas por criminosos que afirmavam possuir conteúdo íntimo e exigiam o pagamento de valores em dinheiro para impedir que o material fosse encaminhado a familiares, colegas de trabalho e pessoas próximas.

A partir de diligências de inteligência policial e da análise sistemática de vestígios digitais e financeiros, a DRCC/PCDF reuniu elementos que indicaram a existência de vínculos entre os investigados, atuação coordenada e estrutura organizada para a prática reiterada dos crimes apurados.

As apurações demonstraram que os episódios inicialmente identificados não eram isolados. O aprofundamento da investigação revelou a existência de outras vítimas, inclusive em diferentes unidades da Federação, submetidas ao mesmo padrão criminoso de intimidação, cobrança de valores e ameaça de exposição pública de conteúdo íntimo.

Também foi constatada a utilização de contas bancárias digitais e intermediários financeiros para recebimento e pulverização dos valores obtidos ilicitamente, em dinâmica destinada a dificultar o rastreamento do produto dos crimes e a identificação de todos os beneficiários da atividade criminosa.

A análise dos elementos digitais e financeiros indicou, ainda, que a atuação do grupo permanecia em curso, evidenciando a contemporaneidade das condutas e a necessidade de intervenção policial para interromper a reiteração dos crimes e evitar que novas vítimas fossem atingidas.

Os mandados de busca têm como objetivo a apreensão de dispositivos eletrônicos e demais elementos de prova, que serão submetidos à análise técnico-policial para o aprofundamento da investigação.

Nome da operação

A denominação Arcanum faz referência ao caráter oculto e sigiloso explorado pelos criminosos, que se valiam do temor das vítimas quanto à exposição de sua intimidade para constrangê-las ao pagamento de valores indevidos.

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