Operação Replay revela esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho
Investigação da Polícia Civil aponta que facção utilizava empresas, imóveis de luxo, veículos e "laranjas" para ocultar patrimônio estimado em R$ 32 milhões.

A Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Comando Vermelho (CV), que teria movimentado aproximadamente R$ 32 milhões em patrimônio. A investigação aponta que a organização criminosa utilizava empresas, imóveis de luxo, veículos, procurações e pessoas interpostas para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento dos bens.
Ao todo, 15 pessoas são investigadas por integrarem a estrutura financeira da facção. Entre os alvos estão uma advogada, ex-servidores públicos, empresários, jogadores de futebol amador e pessoas suspeitas de emprestar seus nomes para registrar bens adquiridos, segundo a Polícia Civil, com recursos provenientes de atividades criminosas.
De acordo com a investigação, o principal operador financeiro da organização continuava comandando a movimentação de recursos mesmo preso em uma unidade de segurança máxima, utilizando aparelhos celulares introduzidos ilegalmente no presídio. As interceptações apontam que ele autorizava pagamentos, administrava arrecadações, distribuía recursos e coordenava toda a movimentação financeira da facção.
As apurações também identificaram um grupo responsável por operacionalizar os pagamentos, administrar o patrimônio e movimentar valores fora do sistema prisional. Em uma das conversas interceptadas, investigadores encontraram referências ao “congelamento” de aproximadamente R$ 14 milhões.
A Polícia Civil ainda apura o envolvimento de pessoas utilizadas como proprietárias formais de imóveis de alto padrão e outros bens, embora, segundo a investigação, os patrimônios permanecessem sob controle da organização criminosa.
Entre os alvos também está uma advogada apontada como responsável por administrar imóveis milionários registrados em nome de terceiros, além de familiares de integrantes da facção que teriam atuado na gestão e ocultação do patrimônio.
Durante o aprofundamento das investigações, foram identificadas ainda conversas relacionadas à aquisição de armas e munições personalizadas com símbolos associados ao grupo criminoso, elemento que, segundo a Polícia Civil, reforça a ligação entre os investigados e a organização.
A Operação Replay é resultado de meses de investigação baseada em interceptações telefônicas, análises patrimoniais, documentos, registros imobiliários e movimentações bancárias. Como resultado, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em bens, incluindo imóveis de luxo, apartamentos no litoral catarinense, veículos de alto padrão e outros ativos considerados estratégicos para o funcionamento do esquema.
As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta a identificação de novos envolvidos nem a ampliação das medidas patrimoniais contra integrantes da organização criminosa.


