Investimento florestal

MT aprova R$ 3,87 milhões para pesquisa e setor florestal

Recursos serão destinados à UFMT, ao Cipem e ao Imea, com foco em espécies nativas, identificação de madeiras e abastecimento de biomassa para indústrias

Por Matheus Marques 23/10/2026 às 16:00 4 min de leitura

O Governo de Mato Grosso aprovou R$ 3,87 milhões em investimentos para três projetos voltados ao fortalecimento da cadeia produtiva florestal, à pesquisa científica e ao planejamento do abastecimento energético das indústrias estaduais. A decisão foi tomada na quinta-feira (22), durante reunião extraordinária do Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta, realizada na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), em Cuiabá.

Os recursos serão destinados à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ao Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem) e ao Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). As iniciativas abrangem pesquisas sobre espécies florestais amazônicas, criação de uma estrutura científica para identificação de madeiras e levantamento da oferta e da demanda de biomassa utilizada pelas indústrias.

A maior parcela, de R$ 1,97 milhão, foi aprovada para a UFMT, no campus de Sinop. O projeto “Pró-nativas: Vitrines Florestais Amazônicas” prevê a implantação de áreas experimentais em Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta.

Nesses locais, pesquisadores deverão acompanhar o crescimento, a produtividade e o potencial de utilização industrial de espécies florestais nativas da Amazônia. A proposta é produzir informações que possam orientar produtores rurais, empresas e investidores sobre alternativas de cultivo e aproveitamento econômico dessas espécies.

Os resultados, porém, dependerão do desenvolvimento dos experimentos e da avaliação científica. A aprovação do projeto não significa que novas plantações comerciais já tenham sido implantadas ou que a viabilidade econômica das espécies esteja comprovada.

Identificação de madeiras

O Cipem receberá R$ 1,49 milhão para implantar uma xiloteca, estrutura científica destinada ao armazenamento e à catalogação de amostras de madeira para identificação de espécies.

O projeto também prevê uma estrutura técnica para emissão de laudos de identificação, serviço que pode auxiliar empresas do setor madeireiro, especialmente aquelas que comercializam produtos nos mercados nacional e internacional.

A identificação correta da madeira é importante para conferir informações declaradas em documentos comerciais e atender a exigências relacionadas à fiscalização e ao comércio de produtos florestais.

Segundo o diretor-executivo do Cipem, Valdinei Bento dos Santos, a estrutura poderá ampliar a capacidade técnica disponível no Estado.

“Precisamos ampliar a capacidade técnica de identificação das espécies no estado, especialmente diante das exigências internacionais. Essa estrutura vai ajudar as empresas exportadoras”, afirmou.

Biomassa para a indústria

O terceiro projeto será desenvolvido pelo Imea, com investimento previsto de R$ 400 mil. A iniciativa consiste em elaborar um diagnóstico sobre a oferta e a demanda de biomassa em Mato Grosso, com atenção especial às necessidades industriais, incluindo as usinas de etanol de milho.

O levantamento deverá identificar regiões produtoras, mapear a disponibilidade de madeira e resíduos agrícolas e florestais utilizados como fonte de energia e avaliar as necessidades de abastecimento das indústrias.

A expansão da produção de etanol de milho aumenta a importância do planejamento energético, já que determinadas unidades utilizam biomassa para gerar calor e vapor em etapas do processamento industrial.

O diagnóstico poderá auxiliar empresas e produtores a planejar investimentos em florestas energéticas, logística e fornecimento de matéria-prima. Os dados atuais sobre consumo, disponibilidade estadual e demanda futura, no entanto, ainda deverão ser levantados.

A secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Silva Vogel Lisboa, destacou a importância dos projetos para o setor.

“A aprovação desses projetos demonstra nosso compromisso em buscar soluções para desafios enfrentados pelo setor florestal, desde a produção de matéria-prima até a comercialização da madeira. São investimentos em pesquisa, tecnologia e conhecimento que vão contribuir para dar mais segurança aos produtores e fortalecer nossas indústrias”, declarou.

Fundo Desenvolve Floresta

O Fundo Desenvolve Floresta financia ações relacionadas ao florestamento, reflorestamento, manejo florestal sustentável, pesquisa e assistência técnica. Entre suas fontes de recursos está a taxa de reposição florestal, vinculada às obrigações previstas na política florestal estadual.

Embora o total anunciado pelo governo seja de R$ 3,87 milhões, os valores individualmente divulgados para os três projetos somam R$ 3,86 milhões. A publicação oficial não apresenta os montantes exatos de cada iniciativa para esclarecer a diferença.

Também não foram informados os cronogramas de desembolso, os prazos de conclusão ou as datas de início das atividades. Portanto, os valores correspondem a recursos aprovados pelo Conselho Gestor, e não a despesas comprovadamente pagas ou projetos concluídos.

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